Rio de Janeiro, 16 de Abril de 2026

Turquia prende suspeitos e enfrenta protestos após ataques em escolas

Após ataques em escolas, Turquia enfrenta protestos de professores exigindo a renúncia do ministro da Educação. Entenda os desdobramentos.

Quinta, 16 de Abril de 2026 às 11:50, por: CdB

Nesta quinta-feira, mais de 3,5 mil professores protestaram em Ancara, atendendo à convocação de diversos sindicatos. Eles exigem a renúncia do ministro da Educação.

Por Redação, com RFI – de Ancara

A polícia turca anunciou nesta quinta-feira que emitiu mandados de prisão contra dezenas de pessoas acusadas de perturbar a ordem pública ao publicarem mensagens de apoio a dois tiroteios ocorridos recentemente em escolas do país. Enquanto isso, milhares de professores foram às ruas para protestar contra o ministro da Educação.

Turquia prende suspeitos e enfrenta protestos após ataques em escolas | Familiares e amigos ao lado do caixão de Bayram Nabi Şişik, de 10 anos, durante os funerais das nove vítimas mortas em um tiroteio em uma escola cometido por um jovem de 14 anos
Familiares e amigos ao lado do caixão de Bayram Nabi Şişik, de 10 anos, durante os funerais das nove vítimas mortas em um tiroteio em uma escola cometido por um jovem de 14 anos

Um dia após um massacre que deixou nove mortos em uma escola em Kahramanmaraş, no sul da Turquia, a polícia informou em comunicado que “foram emitidos mandados de prisão contra 83 pessoas envolvidas em publicações e atividades que glorificam crimes e criminosos, afetando negativamente a ordem pública”. O texto acrescenta que processos judiciais foram abertos contra elas.

Muito emocionados, familiares e amigos participaram dos enterros de oito crianças de 10 e 11 anos e de um professor de 55 anos. Os caixões estavam cobertos com a bandeira da Turquia.

Nesta quinta-feira, mais de 3,5 mil professores protestaram em Ancara, atendendo à convocação de diversos sindicatos. Eles exigem a renúncia do ministro da Educação.

“Manchas de sangue na minha profissão” e “Onde você estava quando nossas crianças estavam morrendo?” foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes, mobilizados após os dois ataques que chocaram o país.

Na quarta-feira, um estudante de 14 anos do oitavo ano entrou na escola portando cinco armas e sete carregadores e abriu fogo de forma indiscriminada. Pelo menos nove pessoas morreram – entre elas, oito estudantes – e outras 13 ficaram feridas. O jovem também morreu no local.

Na terça-feira, um adolescente nascido em 2007, ex-aluno de uma escola de formação profissional em Sanliurfa, no sudeste da Anatólia, feriu 16 pessoas antes de tirar a própria vida dentro do colégio.

Tiroteios em escolas, no entanto, são raros na Turquia. O país realiza nesta quinta-feira uma cerimônia de homenagem aos oito alunos e ao professor morto no ataque de Kahramanmaraş.

Atirador

Segundo a polícia turca, o adolescente de 14 anos autor do massacre em Kahramanmaraş usava em seu perfil no WhatsApp uma imagem que fazia referência a Elliot Rodger, autor de um massacre na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2014. Em um vídeo divulgado à época, Rodger justificou o ataque como uma “punição” às mulheres que o teriam rejeitado.

O Ministério Público de Kahramanmaraş informou que o adolescente planejava um ataque de grande escala, de acordo com um arquivo datado de 11 de abril de 2026 encontrado em seu computador.

O atirador era filho de um ex-policial. “Suspeitamos que ele possa ter pegado as armas do pai”, disse o governador de Kahramanmaraş, Mukerrem Unluer. O pai do adolescente foi detido pela polícia.

Esse tipo de incidente é relativamente raro na Turquia, onde, segundo estimativas de uma fundação local, circulam dezenas de milhões de armas de fogo, a maioria de forma ilegal.

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