Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 2026

Trump cria Conselho de Paz e promete atuar junto à ONU

Donald Trump anuncia o Conselho de Paz para Gaza, prometendo desmilitarização e cooperação com a ONU. Iniciativa controversa sem representantes palestinos.

Quinta, 22 de Janeiro de 2026 às 11:58, por: CdB

A iniciativa tem como pano de fundo a frustração do presidente dos EUA por não ter sido laureado com o Nobel da Paz.

Por Redação, com ANSA – de Washington, Davos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira, em Davos, na Suíça, o assim chamado “Conselho de Paz” para a Faixa de Gaza, iniciativa ainda vista com desconfiança por boa parte da comunidade internacional e que não tem representantes palestinos.

Trump cria Conselho de Paz e promete atuar junto à ONU | Donald Trump lança Conselho de Paz para Gaza em Davos
Donald Trump lança Conselho de Paz para Gaza em Davos

A cerimônia teve a participação de duas dezenas de líderes que já aderiram ao projeto, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o premiê da Hungria, Viktor Orbán, em meio às suspeitas de que o republicano deseja criar uma espécie de ONU paralela subordinada a ele mesmo.

– Estamos comprometidos para que Gaza seja desmilitarizada e bem governada. Por isso lançamos o Conselho da Paz, vai ser algo lindo de vivenciar. Uma vez que o conselho estiver completo, vamos fazer isso em conjunto com as Nações Unidas – disse Trump, crítico feroz da ONU e que já rompeu com várias de suas instituições.

– Eu sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial incrível, mas elas não usam esse potencial. Estamos aqui diante de uma grande oportunidade de encerrar décadas de sofrimento e guerra com uma paz gloriosa para toda a região – acrescentou.

Nobel da Paz

A iniciativa tem como pano de fundo a frustração do presidente dos EUA por não ter sido laureado com o Nobel da Paz, apesar de sua reivindicação de ter encerrado oito conflitos pelo mundo. Dezenas de líderes foram convidados para o conselho e, segundo a Casa Branca, 35 já confirmaram adesão.

Na Europa, países como França, Noruega e Suécia rejeitaram o convite, enquanto Alemanha, Itália e Reino Unido veem o projeto com reticência e não participaram da cerimônia em Davos. Brasil, China e Rússia também hesitam em aderir. Outro convidado é o papa Leão XIV, que ainda não respondeu.

O Conselho da Paz foi criado por Trump com o objetivo inicial de supervisionar a reconstrução e a gestão de Gaza após a ainda incerta desmilitarização do Hamas, porém não se limitaria ao enclave palestino e poderia também atuar em outros locais de conflito.

Trump será presidente vitalício desse organismo, que tem uma cota de US$ 1 bilhão por um assento permanente. O dinheiro arrecadado será administrado pelo próprio líder americano, mas não está claro que fim terão esses recursos.

– O Conselho de Paz pode ser um dos organismos mais importantes já criados. Eu o levo muito a sério, e todos os países querem fazer parte – assegurou Trump.

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