Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Trump ameaça resposta dura caso Irã avance com execuções

Família de manifestante detido diz que ele será executado nesta quarta-feira. "Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza", afirmou Trump.

Quarta, 14 de Janeiro de 2026 às 10:29, por: CdB

Família de manifestante detido diz que ele será executado nesta quarta-feira. “Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza”, afirmou Trump.

Por Redação, com DW – de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que executará “ações muitos fortes” caso as autoridades do Irã comecem a executar pessoas detidas durante os protestos que abalam a República Islâmica.

Trump ameaça resposta dura caso Irã avance com execuções | Protestos que começaram em fins de dezembro já teriam deixado cerca de 2,6 mil mortos
Protestos que começaram em fins de dezembro já teriam deixado cerca de 2,6 mil mortos

– Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza – afirmou o chefe de Estado norte-americano quando questionado sobre a possibilidade de execuções por enforcamento já nesta quarta-feira.

A ONG Iran Human Rights (IHR) denunciou o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, detido na semana passada na cidade de Karaj, perto de Teerã, que, segundo a sua família, já foi condenado à morte e poderá ser executado nesta quarta-feira.

O responsável máximo pela Justiça iraniana, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira julgamentos sumários e possíveis execuções de pessoas detidas por terem participado nos recentes protestos contra o regime da República Islâmica.

– Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo já – disse Mohseni-Ejei, em referência às execuções. Ele acrescentou que, “se demorar dois ou três meses, não terá o mesmo efeito”.

O Ministério Público de Teerã afirmou que um número não especificado de manifestantes será julgado por moharebeh (guerra contra Deus, em persa), uma das acusações mais graves no Irã e que prevê a pena de morte, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.

ONGs: 2,6 mil mortos

Organizações não governamentais afirmaram que cerca de 2,6 mil pessoas morreram nas manifestações que começaram em 28 de dezembro em todo o país. Esse número inclui manifestantes e forças de segurança.

De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos e com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao regime. O grupo afirmou que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou, para mais de 18,1mil.

O fluxo de informações do Irã é prejudicado por um bloqueio da internet, que começou em 8 de janeiro. Isso dificulta a verificação independente dos números de mortos e detidos. As chamadas via telefone para o exterior foram permitidas nesta terça-feira, mas ainda não é possível ligar do exterior para o Irã.

O fornecedor de internet por satélite Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, passou a oferecer serviço gratuito no Irã, disseram ativistas.

Irã ameaça bases norte-americanas na região

Em resposta às ameaças de Trump, o ministro iraniano da Defesa, Aziz Nafizardeh, afirmou que o seu país atacará as bases norte-americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos lancem uma ofensiva contra a nação persa. “O Irã atacará as bases americanas se for atacado”, afirmou, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.

O Irã acusou os Estados Unidos de procurarem um pretexto para intervir militarmente no país. “As fantasias e a política dos Estados Unidos em relação ao Irã baseiam-se na mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos a servirem de modus operandi para fabricar um pretexto para a intervenção militar”, afirmou a missão iraniana na ONU.

Em junho passado, os EUA atacaram instalações nucleares no Irã numa ofensiva que, segundo os iranianos, matou mais de mil pessoas, a maioria civis. Teerã respondeu com um ataque a uma base americana no Qatar, que teve pouco impacto.

O Irão é o segundo país no mundo em número de execuções, atrás apenas da China, segundo ONGs humanitárias. Em 2025, o país executou pelo menos 1,5 mil pessoas condenadas à morte, de acordo com a ONG Iran Human Rights. Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos, entre 2022 e 2023, segundo essa ONG sediada na Noruega.

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