Um terremoto de magnitude 5,0 atingiu o norte do Tibete na quinta-feira, a 10 km de profundidade. O tremor ocorreu a centenas de quilômetros de áreas devastadas por enchentes.
Por Redação, com Reuters – de Lhasa, no Tibete
Um terremoto de magnitude 5,0 atingiu a região do Tibete, na China, na noite desta quinta-feira (horário local), informou o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ).

O tremor ocorreu a uma profundidade de 10 km no norte do Tibete, segundo o GFZ.
O epicentro ficou a centenas de quilômetros ao norte das regiões do Nepal e da China que foram atingidas por uma devastadora enchente repentina na quarta-feira que matou centenas de pessoas e deixou mais de mil desaparecidas.
O centro de monitoramento de terremotos da China também registrou um tremor de magnitude 4,7 em Nagqu, no Tibete, na quarta-feira, informou a agência de notícias estatal Xinhua.
A China ativou um plano de resposta a enchentes de Nível IV no Tibete em meio ao risco de rompimento de um lago de contenção, acrescentou a Xinhua.
O Ministério de Recursos Hídricos da China instruiu as autoridades locais a monitorarem o lago de contenção e as chuvas, e enviou uma equipe de especialistas ao condado de Gyirong, segundo a Xinhua.
Italiana
Uma turista italiana, que estava do outro lado do país quando as inundações devastaram a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, relatou nesta quinta-feira as dificuldades que vem enfrentando em meio aos problemas provocados pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma catástrofe rio abaixo.
Mariapaola Ricozzi, de 40 anos e natural de Roccasecca, havia embarcado naquela que era ? e continua sendo ? a viagem de sua vida para explorar montanhas com as quais sempre sonhou. No entanto, em meio a essa aventura ? realizada na companhia de três mulheres da Lombardia e uma de Roma ? chegaram as notícias sobre as inundações que tiraram centenas de vidas.
– Quarta-feira estávamos na Reserva Natural de Chitwan quando soubemos das inundações na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Ficamos profundamente comovidas, pois havíamos compartilhado parte de nossas vidas com aquelas pessoas. Felizmente, as consequências para nós foram mínimas; estamos seguras e bem – relatou Ricozzi.
A italiana contou ainda que, durante o percurso, o grupo já havia enfrentado diversas dificuldades provocadas pelas fortes chuvas e pelos deslizamentos.
Na volta de Ghandruk, no Himalaia, em direção a Katmandu, uma estrada interditada obrigou as viajantes a tomar uma rota alternativa pelas montanhas. O trajeto, que normalmente levaria cerca de três horas e meia, acabou durando entre seis e sete horas.
– Estávamos voltando para Katmandu. A estrada estava bloqueada, então fomos desviados para uma rota alternativa ? subindo uma montanha e, essencialmente, contornando o trecho interditado – enfatizou.
A situação ficou ainda mais complicada depois que a chuva provocou outro deslizamento. Para prosseguir, o grupo precisou caminhar pela margem de um rio, atravessando um trecho de terreno que havia desabado.
– Tivemos de subir pela margem do rio, escalando o leito desabado e agarrando-nos a plantas e rochas; foi uma viagem de volta bastante incomum e difícil – relatou Ricozzi.
Nesta quinta-feira, o trânsito entre Chitwan e Katmandu também estava caótico. A estrada atravessa uma passagem de montanha estreita, utilizada simultaneamente por carros, micro-ônibus, outros veículos e carroças. “Houve momentos em que tudo parou completamente, mas conseguimos chegar”, concluiu a turista italiana.