União e prefeituras de Limeira e Cordeirópolis defendem demolição da estrutura após acidente fatal durante prática de rope jumping; responsabilidade pelo local segue em debate.
Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo
Após dias de troca de acusações sobre quem deveria fiscalizar e garantir a segurança da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), representantes do governo federal e das prefeituras da região chegaram a um consenso: a implosão da estrutura é vista como a solução definitiva para impedir novos acidentes.

A mudança de posicionamento ocorreu após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, vítima de um acidente durante a prática de rope jumping. A jovem foi lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar devidamente presa às cordas de segurança.
A decisão foi discutida em reunião realizada na segunda-feira, em Limeira, com a participação de representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), além dos prefeitos Murilo Félix, de Limeira, e Cristina Saad, de Cordeirópolis.
Demolição
Embora nenhum dos entes públicos tenha assumido responsabilidade direta pelo ocorrido, União e municípios passaram a defender a retirada definitiva da ponte.
Em nota, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), informou que trabalha em conjunto com os governos locais para impedir o acesso à área até que seja adotada uma solução permanente para o patrimônio.
A proposta de implosão surge como alternativa para eliminar os riscos associados ao acesso irregular à estrutura, frequentemente utilizada para atividades radicais e visitação não autorizada.
Antes da reunião, o prefeito de Limeira havia elevado o tom contra o governo federal e anunciou a intenção de acionar judicialmente a União por suposta omissão na administração da ponte.
O Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre o acidente. Coube ao Ministério da Gestão lamentar a morte da jovem e destacar que a atividade esportiva realizada no local não possuía autorização oficial.
Segundo a pasta, a Ponte do Esqueleto integra um trecho ferroviário que nunca chegou a ser implantado e está localizada em meio a propriedades particulares. O ministério ressaltou ainda que a SPU jamais autorizou qualquer prática esportiva ou evento na estrutura.
Governo
O governo federal argumenta que o processo de incorporação da ponte ao patrimônio da União foi autorizado apenas em 2026.
Apesar disso, a SPU afirma ter solicitado apoio das administrações municipais desde 2024 para restringir o acesso ao local. Conforme o ministério, barreiras chegaram a ser instaladas e permaneceram por alguns meses.
Ainda segundo a versão apresentada pelo governo, a reabertura dos acessos voltou a ser debatida posteriormente, com apoio de empresários locais durante discussões realizadas na Câmara Municipal de Limeira.
Rope jumping
O acidente também reacendeu o debate sobre a falta de regulamentação do rope jumping no país.
A modalidade, que utiliza cordas sem elasticidade para criar um movimento semelhante ao de um pêndulo humano, ganhou popularidade no Brasil a partir de 2013. Diferentemente do bungee jumping, porém, não possui regras nacionais específicas, protocolos obrigatórios de segurança ou fiscalização própria.
Especialistas do setor apontam que a atividade opera em um cenário de vazio regulatório, sem legislação que estabeleça padrões técnicos mínimos para equipamentos, procedimentos e capacitação dos operadores.
Com a repercussão da tragédia e o consenso entre os órgãos públicos sobre a implosão da Ponte do Esqueleto, cresce a pressão para que o debate sobre a regulamentação das atividades radicais avance no país, buscando evitar que casos semelhantes se repitam.