Confrontos entre traficantes durante a madrugada provocaram intensos tiroteios e mobilizaram 150 policiais na Zona Norte do Rio.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A disputa entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) voltou a provocar uma madrugada de intensos tiroteios em Cordovil, Brás de Pina e Jardim América, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o som de dezenas de disparos durante os confrontos nas comunidades da Tinta e Dourado, que vêm assustando moradores da região há pelo menos três dias.
Diante do caso, a Polícia Militar iniciou uma operação para reforçar o policiamento e tentar conter os confrontos entre as facções criminosas nas regiões.
Ao todo, 150 policiais de diferentes batalhões e unidades especializadas participam da ação. Além de reprimir a disputa entre os grupos criminosos, a operação também busca combater roubos de cargas e de veículos na região.
Na tarde de quarta-feira, durante uma ação em Cordovil, policiais militares entraram em confronto com homens armados. Três suspeitos foram baleados. Com eles, os agentes apreenderam uma pistola, um rádio comunicador e uma motocicleta.
Gardênia Azul
Bandidos sequestraram três ônibus para usar como barricadas em diferentes pontos da Zona Sudoeste do Rio, na manhã desta quinta-feira. A ação interrompeu o tráfego em vias da região, alterou o itinerário de dez linhas municipais e, segundo a Polícia Militar, foi uma reação a duas prisões na Gardênia Azul.
Os coletivos foram atravessados na Estrada do Engenho D’Água, no Anil, e na Avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão, próximo à Praça da Gardênia Azul.
De acordo com a PM, agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram até a comunidade após uma denúncia de que traficantes armados vendiam drogas na região. Durante a ação, os policiais fizeram um cerco e prenderam dois homens em flagrante. Com eles, foram apreendidas drogas.
As equipes atuam para liberar as ruas. O policiamento está reforçado e o caso registrado na 32ª DP (Taquara).
O grupo tentou bloquear vias.
Além dos ônibus, o grupo criminoso incendiou entulhos em meio as vias para dificultar a passagem de veículos. Os coletivos usados na ação pertencem às linhas 353 (Gardênia Azul x Terminal Gentileza), 862 (Rio das Pedras x Barra da Tijuca) e 880 (Rio das Pedras x Terminal Alvorada).
Por causa da interdição, precisaram desviar o percurso as linhas:
368 – Riocentro x Candelária;
829 – Gardênia Azul x Freguesia;
861 – Rio das Pedras x Curicica;
862 – Rio das Pedras x Barra da Tijuca;
863 – Rio das Pedras x Barra da Tijuca;
SV863 – Rio das Pedras x Barra da Tijuca;
880 – Rio das Pedras x Terminal Alvorada;
932 – Gardênia Azul x Tanque;
987 – Gardênia Azul x Pechincha;
2110 – Gardênia Azul x Castelo
Milícia
A Polícia Civil realizou, nesta quinta-feira, uma operação contra uma milícia que usava fardas falsas da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) para patrulhas armadas na região do Magarça, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. A ação cumpriu dois mandados de prisão e de busca e apreensão.
A investigação começou após a divulgação de vídeos que mostravam homens fortemente armados circulando pelas ruas durante a madrugada de 4 de julho. Nas imagens, os suspeitos aparecem usando roupas táticas com identificações da própria Draco, tentando se passar por policiais civis. Os uniformes, conforme a especializada, são comprados pela internet.
Com base nas gravações e outras diligências, os agentes identificaram dois milicianos: Leonardo Torres Gomes, conhecido como Léo Piloto, e Lorran Vasconcelos Martins. Segundo a Polícia Civil, ambos integram o grupo de Paulo Roberto de Carvalho Martins, o PL.
Tráfico
De acordo com as investigações, os bandidos faziam patrulhas impedir o avanço de traficantes do Comando Vermelho (CV) na região, em meio à disputa pelo controle territorial. A ação também serviria como demonstração de força da milícia.
Ainda segundo a Draco, Leonardo e Lorran atuavam na proteção da área dominada pela milícia, onde moradores e comerciantes sofrem com cobranças ilegais, ameaças e outras práticas criminosas.
Léo Piloto foi preso em 2022 por envolvimento com milícia, porte ilegal de arma de uso restrito e receptação, sendo colocado em liberdade em abril de 2025. Já Martins responde por participação em milícias que atuavam em Bangu e Guaratiba e é considerado foragido desde março deste ano.