Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Teerã amplia exigências para acordo com Washington

Entre as exigências atualizadas está o fim do bloqueio ao Iêmen.

Terça, 22 de Setembro de 2026 às 14:25, por: CdB

Entre as exigências atualizadas está o fim do bloqueio ao Iêmen.

Por Redação, com CartaCapital – de Teerã

O Irã endureceu suas exigências para encerrar a guerra com os Estados Unidos, após o acordo firmado em junho falhar em conter a retomada das hostilidades. Em entrevista à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) nesta terça-feira, Hossein Mohebi, porta-voz da Guarda Revolucionária, afirmou que Washington quebrou o pacto e agora não tem escolha a não ser aceitar novas condições.

Irã eleva exigências para encerrar conflito com EUA, afirma Guarda

Entre as exigências atualizadas, Teerã passa a cobrar a liberação integral de US$ 24 bilhões (R$ 122,7 bilhões) em ativos congelados antes de retomar negociações, substituindo o modelo anterior por etapas. Além de manter pedidos anteriores — como o fim das sanções ao petróleo, o encerramento do bloqueio naval e a suspensão de hostilidades no Líbano —, o governo iraniano incluiu o fim do bloqueio ao Iêmen no pacote de demandas.

Mohebi também descartou qualquer diálogo direto entre a Guarda Revolucionária e autoridades norte-americanas, afirmando que o contato com os Estados Unidos, caso mantenham a hostilidade, se limita ao campo militar. O porta-voz alertou ainda que, em caso de novos ataques, Teerã adotará uma postura ofensiva.

Companhias 

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, alertou nesta segunda-feira que as companhias aéreas iranianas ficarão impossibilitadas de operar globalmente em dois dias devido às sanções impostas por Washington em sua tentativa de paralisar economicamente Teerã.

Em 23 de setembro, “todas as companhias aéreas iranianas cessarão suas operações em todo o mundo”, disse Bessent à CNBC em entrevista.

“Se pousarem, não serão reabastecidas, não receberão serviços de pouso, não poderão vender passagens”, e qualquer pessoa que o fizer, acrescentou, “será excluída do sistema do dólar”.

Washington e Teerã estão em guerra desde o final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva na qual mataram o líder supremo da República Islâmica e altos comandantes militares.

O Irã respondeu bloqueando o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte de hidrocarbonetos, o que provocou um forte aumento dos preços mundiais de petróleo.

No início deste mês, os Estados Unidos impuseram sanções a “todas as companhias aéreas iranianas” que ainda não haviam enfrentado esse tipo de penalidades.

O Departamento do Tesouro também mirou contra outros atores que apoiam o setor da aviação do Irã, incluindo empresas com sede fora do país.

Bessent anunciou anteriormente o “Dia D econômico” contra o Irã, país que ele prometeu asfixiar financeiramente.

Seus novos comentários chegam um dia depois dele ter se reunido com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, para um diálogo econômico prévio à cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.

A China é um dos principais parceiros econômicos e apoios diplomáticos do Irã.

O setor da aviação iraniana lida, há muito tempo, com sanções que limitaram sua capacidade para adquirir novas aeronaves, peças de reposição e serviços de manutenção.

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