Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Técnicos de enfermagem são presos por mortes em hospital do DF

Três técnicos de enfermagem são presos por mortes em UTI de hospital particular no DF. Investigação revela uso indevido de substâncias letais.

Terça, 20 de Janeiro de 2026 às 10:39, por: CdB

Três pessoas morreram após aplicação de substância letal em UTI de unidade de saúde particular; caso é tratado como homicídio e segue sob sigilo.

Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a suspeita de que três técnicos de enfermagem tenham provocado a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025 e vieram a público na segunda-feira.

Técnicos de enfermagem são presos por mortes em hospital do DF | Polícia prende técnicos suspeitos de matar pacientes no DF
Polícia prende técnicos suspeitos de matar pacientes no DF

As vítimas foram identificadas como Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos; João Clemente Pereira, servidor público de 63 anos; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos. Segundo a polícia, todos apresentaram piora súbita após a aplicação de substâncias de forma indevida.

Dois suspeitos — um homem e uma mulher — foram presos no dia 11 pela Polícia Civil, e uma terceira investigada foi detida na última quinta-feira. As prisões são temporárias, pelo prazo de 30 dias, e a investigação corre sob segredo de Justiça.

Substância aplicada provocava parada cardíaca

Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Wisllei Salomão, em coletiva de imprensa, os técnicos aplicaram de forma indevida um medicamento diretamente na veia das vítimas, o que provocava parada cardíaca.

– Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles – afirmou o delegado.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, em pelo menos um dos casos, o principal suspeito, o homem de 24 anos, teria injetado desinfetante em uma das vítimas, uma idosa de 75 anos, após o medicamento acabar. O produto teria sido aplicado diversas vezes com o uso de seringa.

– Quando o medicamento acabou, ele pegou um desinfetante […] o colocou no copinho plástico, sugou o desinfetante numa seringa e injetou [o conteúdo ] por mais de dez vezes em uma das pacientes.

Câmeras e prontuários embasaram apuração

A investigação analisou imagens do circuito interno da UTI, prontuários médicos e ouviu funcionários do hospital. Segundo a polícia, o técnico aproveitou que o sistema estava logado em nome de médicos para emitir receitas indevidas, retirar o medicamento na farmácia e aplicá-lo nos pacientes sem autorização médica.

As imagens indicam que as aplicações ocorreram em momentos de piora súbita das vítimas. Para disfarçar a autoria, o técnico teria realizado massagens cardíacas logo após as injeções.

As duas técnicas de enfermagem presas teriam sido coniventes com a ação, auxiliando na retirada do medicamento e estando presentes durante as aplicações.

Investigação pode alcançar outros casos

A Polícia Civil informou que o principal suspeito continuou atuando em outra unidade de saúde após ser desligado do Hospital Anchieta. A investigação agora apura se há mortes com o mesmo padrão em outros hospitais onde os envolvidos trabalharam.

Celulares e computadores apreendidos serão analisados para tentar esclarecer a motivação dos crimes. O Ministério Público do Distrito Federal informou que irá avaliar as medidas cabíveis assim que receber o procedimento investigatório.

Hospital disse ter acionado a polícia após apuração interna

Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três ex-técnicos após identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes ocorridas na UTI. A instituição afirmou ter instaurado um comitê interno e encaminhado as evidências às autoridades, solicitando a abertura do inquérito policial.

“O hospital, também vítima da ação destes ex-funcionários, se solidariza com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”, disse o Anchieta, garantindo ter entrado em contato com parentes das três vítimas, prestando todos os esclarecimentos necessários, respeitado o segredo de justiça.

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