Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Surto de febre aftosa leva ao abate de gado no noroeste da China

Um surto de febre aftosa levou ao abate de gado no noroeste da China, com o sorotipo SAT-1 detectado pela primeira vez no país. Entenda as implicações.

Sexta, 03 de Abril de 2026 às 16:52, por: CdB

Analistas do setor disseram que foi a primeira vez que o sorotipo SAT-1 — um tipo de doença endêmica na África — foi detectado na China.

Por Redação, com Reuters – de Xinjiang (China)

A China reforçou controles nas fronteiras, acelerou vacinas e começou a abater gado após um pequeno surto de febre aftosa no noroeste do país, que, segundo as autoridades, veio do exterior.

Surto de febre aftosa leva ao abate de gado no noroeste da China | A febre aftosa é uma ameaça letal aos rebanhos de um país e a vacinação extensiva é um dos antídotos à doença
A febre aftosa é uma ameaça letal aos rebanhos de um país e a vacinação extensiva é um dos antídotos à doença

O Ministério da Agricultura disse no último fim de semana que havia começado a abater animais e a desinfetar áreas afetadas depois que surtos atingiram rebanhos, afetando 6.229 bovinos na província de Gansu e na Região Autônoma Uigur de Xinjiang.

Analistas do setor disseram que foi a primeira vez que o sorotipo SAT-1 — um tipo de doença endêmica na África — foi detectado na China, e que as vacinas domésticas existentes para os sorotipos O e A, mais comuns, não oferecem proteção.

 

Patrulhas

Desde 2025, a SAT-1 se espalhou da África para regiões do Oriente Médio, Ásia Ocidental e Sul da Ásia. Na segunda-feira, as autoridades disseram que o surto entrou na China pela fronteira noroeste, uma região que toca o Cazaquistão, a Mongólia, a Rússia e outros países.

As províncias fronteiriças, incluindo Xinjiang e Gansu, receberam ordens para intensificar patrulhas e impedir a entrada da doença por meio de contrabando ou transporte ilegal, de acordo com avisos oficiais.

“O surto atual ameaça uma grande região e a prevenção e o controle estão sob forte pressão”, disse Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co.

 

Fronteiras

O surto ocorre no momento em que a Rússia luta contra um grave surto de doença bovina na região siberiana de Novosibirsk, que faz fronteira com o Cazaquistão e fica a cerca de 1.200 km (750 milhas) e 2.500 km, respectivamente, dos locais do surto em Xinjiang e Gansu.

Em um relatório publicado em 20 de março, o Departamento de Agricultura dos EUA disse que a escala da resposta da China pode indicar um surto não confirmado de febre aftosa. A Rússia negou qualquer surto desse tipo.

Doenças animais já entraram na China vindas da Rússia, incluindo a peste suína africana em 2018 e o sorotipo O da febre aftosa em 2000 e 2014.

— Não está fora de questão que a China possa adotar restrições aos produtos pecuários russos se tiver motivos para acreditar que a transmissão se originou lá. Mas é mais desafiador se esses surtos não forem relatados — concluiu Even Pay, diretor da Trivium China.

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