O artigo relata condições de trabalho exploratórias, jornadas semanais de até 80 horas e salários inadequados.
Por Redação, com ANSA – de Berlim
Uma reportagem sobre o suposto tratamento análogo à escravidão dispensado a imigrantes brasileiros em sorveterias administradas por italianos na Alemanha provocou protestos da Associação de Belluneses no Mundo (ABM).

O artigo, publicado pelo jornal Süddeutsche Zeitung, relata condições de trabalho exploratórias, jornadas semanais de até 80 horas e salários inadequados. Muitos dos trabalhadores brasileiros citados possuem passaporte italiano e são oriundos de Urussanga, município historicamente ligado à emigração de moradores da região do Vêneto e de outras partes da Itália.
Segundo Oscar De Bona, presidente da associação, “não se pode denegrir um setor histórico por causa de algumas poucas ‘ovelhas negras'”.
– Nossos sorveteiros, especialmente os das áreas de Belluno e Treviso, deram contribuições extraordinárias tanto para a Itália quanto para a Alemanha no pós-guerra e nos anos seguintes à tragédia de Vajont, por meio de décadas de imenso trabalho árduo, sacrifício e dedicação – declarou o dirigente.
– Quem desejar denunciar ou expor tais situações deve fazê-lo abertamente, fornecendo seu nome completo e identificando o estabelecimento específico envolvido, permitindo, assim, que as medidas legais cabíveis sejam tomadas pelos canais apropriados. É profundamente lamentável que uma publicação de tamanha relevância dê espaço a alegações vagas que acabam manchando a reputação de gerações de trabalhadores – acrescentou.
Instituição
Já Riccardo Simonetti, líder da Famiglia Bellunese da Renânia do Norte-Vestfália, instituição de longa data vinculada à ABM, composta principalmente por empresários do setor, defendeu que, “embora jornadas de trabalho extenuantes possam ter ocorrido no passado, a situação atual é completamente diferente”.
– Nossos funcionários são todos contratados legalmente, e nossas empresas estão sujeitas a fiscalizações constantes que garantem a proteção de seus direitos – concluiu.