Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Rússia eleva tom nuclear diante de tensões com Otan no Báltico

O ‌documento afirma que isso inclui a possibilidade "de ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no início do conflito".

Quarta, 30 de Setembro de 2026 às 10:24, por: CdB

O ‌documento afirma que isso inclui a possibilidade “de ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no início do conflito”.

Por Redação, com Reuters – de Moscou

A Rússia advertiu ‌a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que estaria pronta a recorrer a armas nucleares caso a aliança ocidental tentasse isolar Kaliningrado, um enclave russo que faz fronteira com o Mar Báltico.

Rússia faz advertência nuclear em meio à tensão no Báltico

Em um documento enviado à Otan e ao qual à agência inglesa de notícias Reuters teve acesso, Moscou acusou a aliança de ⁠seguir um “caminho perigoso e imprudente” que acarreta “altos riscos de eclodir um conflito armado direto”.

O ‌documento afirma que isso inclui a possibilidade “de ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no início do conflito”.

“A Rússia ‌estará pronta para utilizar todo o arsenal de ‌forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de ⁠defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, dizia o texto, classificado como um “non-paper” — jargão diplomático para um documento informal.

Além do aviso privado, as embaixadas russas em pelo menos três países europeus emitiram declarações nos últimos três dias acusando ‌a Otan de intensificar as tensões por meio de exercícios militares e do planejamento ‌de cenários envolvendo Kaliningrado. A ⁠Rússia também rejeitou ⁠as alegações ocidentais de que representaria uma ameaça à Europa.

Alerta

Os comunicados afirmaram que a Rússia não ⁠tem intenção de atacar países da Otan, ‌mas alertaram que qualquer agressão ‌contra Kaliningrado — um território russo fortemente militarizado, situado entre a Polônia e a Lituânia — seria recebida com a resposta mais enérgica possível.

As advertências destacam um aumento acentuado da tensão entre a Rússia e os países europeus, que ⁠acusam Moscou de intensificar uma “guerra híbrida” no continente por meio de atos como sabotagem e incêndio criminoso.

A Rússia nega isso e rejeita as repetidas declarações de políticos ocidentais de que estaria se preparando para um possível ataque militar a um país da Otan.

A porta-voz da Otan, ‌Allison Hart, confirmou que a Rússia enviou um documento informal à aliança, mas não divulgou seu conteúdo.

– Enviamos uma resposta, ressaltando que a Otan é uma aliança ⁠defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa risco para qualquer parte da Rússia. Condenamos veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável. Exortamos a Rússia a pôr fim à sua guerra não provocada na Ucrânia – afirmou ela.

Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa disse: “(Esta é a) primeira vez desde (a) Guerra Fria que a Rússia nos ameaça dessa forma. Portanto, isso é grave”.

Um diplomata da Otan disse: “Eu diria que a carta russa é apenas mais uma tentativa da Rússia de intimidar os europeus, e que a resposta da Otan é firme e responsável. (Ela) reafirma que não seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia”.

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