A estratégia envolve a proteção de corredores viários estratégicos com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das forças de segurança do Estado.
Por Redação – do Rio de Janeiro
O Estado do Rio de Janeiro servirá como um tipo de campo de testes para os mecanismos da política de segurança pública do governo federal, com foco no combate ao roubo de cargas e ao domínio territorial de facções criminosas. Antes mesmo de o Senado aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na semana passada, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP) e o governo fluminense firmaram acordos em setembro para estabelecer ações integradas de inteligência e policiamento.

A estratégia envolve a proteção de corredores viários estratégicos com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das forças de segurança do Estado. Ao mesmo tempo, os governos federal e estadual iniciaram uma articulação para robustecer o plano de recuperação de territórios controlados pelo crime organizado, estruturando uma ofensiva inédita no modelo de cooperação federativa no país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou a iniciativa em suas redes sociais em setembro, ainda em plena campanha eleitoral, ao afirmar que a estratégia se baseia em sufocar a logística e a mobilidade do crime, recuperar territórios e fortalecer a capacidade das cidades na segurança pública.
Cooperação
O governador eleito Douglas Ruas (PL) afirmou em nota que dará continuidade às iniciativas de integração entre as forças de segurança voltadas ao enfrentamento do crime organizado e à proteção dos principais corredores logísticos do estado. Ruas referiu-se ao Acordo de Cooperação Técnica, assinado pelo governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto. O documento estabelece validade de 60 meses, abrangendo todo o período do mandato que se inicia em janeiro de 2027.
As instâncias incluídas no acordo que visa ao fortalecimento da proteção integrada dos corredores logísticos reúnem-se periodicamente por meio de um comitê gestor. O grupo conta com representantes da assessoria especial do MJSP, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do gabinete do governador, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do estado e das polícias Federal, Militar, Civil e Rodoviária Federal.
Para Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o acordo representa a materialização do que se espera com a implantação da PEC da Segurança Pública. A iniciativa ratifica, de acordo com o especialista, o que já ocorre no Rio desde o julgamento da ADPF 635, quando o Supremo Tribunal Federal determinou que a Polícia Federal exercesse um papel ativo no combate ao crime organizado no Estado.