O Reino Unido disse nesta segunda-feira que existe uma “janela pequena” de tempo para salvar o acordo nuclear com o Irã, e o governo iraniano sinalizou que retomará seu programa nuclear, visto pelo Ocidente como um disfarce para a fabricação de bombas atômicas, se a Europa for incapaz de fazer mais para salvar o pacto.
Chanceler de Malta, Carmelo Abela, conversa com homólogo britânico, Jeremy Hunt, durante reunião de chanceleres da UE em Bruxelas
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã pioraram desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu no ano passado retirar seu país do acordo nuclear, mediante o qual o Irã concordou em limitar seu programa atômico em troca da suspensão de sanções econômicas que prejudicam sua economia.
– O Irã ainda demora um bom ano para desenvolver uma bomba nuclear. Ainda existe uma janela pequena, mas que está se fechando, para manter o acordo vivo – disse o secretário das Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, a repórteres ao chegar a Bruxelas para uma reunião de chanceleres.
Na reunião de Bruxelas se tentará determinar como convencer o Irã e os EUA a diminuírem as tensões e iniciar um diálogo, em meio aos temores de que o pacto de 2015 esteja prestes a desmoronar.
Reação
Em reação à reativação norte-americana de sanções duras, que visaram sobretudo a renda do petróleo iraniano, o Irã recuou em alguns de seus compromissos nucleares com o acordo, levando França, Reino Unido e Alemanha, as partes europeias do pacto, a alertarem o regime sobre o descumprimento da totalidade dos termos.
Quando indagado se as potências europeias buscarão penalizar o Irã por violar partes de seus compromissos nucleares, Hunt respondeu que buscará um encontro entre as partes para lidar com a questão.
– Nós o faremos, e existe algo chamado comissão conjunta, que é o mecanismo criado no acordo que é o que acontece quando um lado acredita que o outro lado o violou, isso acontecerá muito em breve.
Arma nuclear
O Irã afirma que jamais almejou uma arma nuclear.
Em Teerã, a agência nuclear iraniana disse que o país voltará à situação anterior ao acordo nuclear a menos que os países europeus cumpram suas obrigações.
– Estas ações não são tomadas por teimosia, mas para dar à diplomacia uma chance, de forma que o outro lado caia em si e cumpra suas tarefas – disse o porta-voz da agência, Behrouz Kamalvandi.
– E se os europeus e a América não quiserem cumprir suas obrigações, criaremos um equilíbrio neste acordo reduzindo nossos compromissos e levaremos a situação ao que era quatro anos atrás.