O PT pegou carona no movimento contra a destruição da Educação, que professores e estudantes ergueram sozinhos, beneficiados pelo fato de que a maioria das pessoas de bem preza o ensino e reprova os excessos extremistas dos ministros.
Por Celso Lungaretti, de São Paulo:Ao entrar no sexto mês do governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, o PT ainda não foi capaz de articular nenhuma resistência digna deste nome à escalada da intolerância, do arbítrio e da barbárie, muito menos de colocar as massas nas ruas pra valer.
Então, tenta pegar carona descaradamente no movimento contra a destruição da Educação que professores e estudantes ergueram sozinhos, beneficiados pelo fato de que a maioria das pessoas de bem preza o ensino e reprova os excessos extremistas dos ministros que o Rasputin da Virgínia instalou no Governo Bolsonaro.
E é neste momento que o PT tenta colar sua acentuada rejeição à boa imagem do movimento de professores e estudantes, o que inevitavelmente o enfraquecerá. Parece estar querendo dar razão a Bolsonaro, que reagiu ao megaprotesto de 15 de maio exatamente acusando os manifestantes de serem idiotas úteis teleguiados pela esquerda derrotada na última eleição presidencial.
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"O PT não pode tutelar movimento social" |
Ponto para o Haddad, que não compactuou com mais este desserviço petista à causa da resistência ao bolsonarismo:
"O PT não pode ter a pretensão de tutelar movimento social. O movimento da educação é um movimento da sociedade, independentemente da posição que a pessoa tenha em relação ao PT e ao Lula".
E um conselho aos dirigentes petistas que, neste domingo (2), iniciaram a pregação divisionista, com afirmações do tipo "Lula e educação são inseparáveis. Essa moçada está indo às ruas pelo legado que Lula deixou nesse país" (Gleisi Hoffmann) e "A campanha do Lula Livre, que no nosso caso é mostrar o julgamento injusto que ele teve, se junta à pauta da educação" (Paulo Okamotto): desistam!
Chega de levarem água para o moinho do inimigo, como fizeram em 2013, quando voltaram as costas para o Movimento Passe Livre, permitindo que aqueles jovens fossem massacrados pela repressão de governos estaduais e sofressem chocantes perseguições judiciais.
Candidatura fantasma: um desagravo fora de hora. |
E também na campanha presidencial de 2018, quando pavimentaram o caminho para a vitória ultradireitista:
- com a insistência na candidatura fantasma do Lula (que jamais teve a mais remota chance de vingar, não passando de um desagravo fora de hora que tirou o foco do objetivo principal de determos Bolsonaro); e
- com o torpedeamento dos esforços para a união de forças da esquerda (que os mais lúcidos pregaram, mas o dono do partido abortou ao puxar o tapete de Ciro Gomes).
O PT tem o direito e até o dever de lutar pela liberdade do Lula. Mas precisa entender que a prioridade máxima da esquerda, neste momento, é evitar a fascistização total da sociedade brasileira. Todo o resto vem depois.
Celso Lungaretti, jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Náufrago da Utopia (Geração Editorial). Tem um ativo blog com esse mesmo título.
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