Soldado recém-formada não tinha cadastro para uso do equipamento; caso é investigado com prioridade.
Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo
A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, envolvida na morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31, não utilizava câmera corporal no momento da ocorrência por falta de cadastro no sistema da corporação. A informação foi confirmada pela Polícia Militar de São Paulo.

Formada há apenas quatro meses, a soldado havia concluído o curso de formação em dezembro de 2025 e atuava no patrulhamento da região de Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital paulista, onde ocorreu o caso.
De acordo com a corporação, a policial ainda não possuía o cartão eletrônico vinculado ao CPF, necessário para retirar o equipamento nas bases operacionais, conhecidas como docas, onde as câmeras são armazenadas, recarregadas e têm seus dados descarregados.
A ausência da câmera corporal levanta questionamentos sobre o controle e a transparência nas ações policiais. Apenas o colega de patrulha da soldado, o também policial Weden Silva Soares, de 26 anos, utilizava o equipamento no momento da abordagem.
Segundo informações, o momento exato do disparo não foi registrado, pois o policial com câmera estava em outro ponto da ocorrência, acompanhando o marido da vítima.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública não explicou por que o cadastro da policial ainda não havia sido concluído até a data do ocorrido.
Discussão
O caso aconteceu na madrugada da última sexta-feira, quando Thawanna caminhava com o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, de 36 anos. A viatura policial teria passado próxima ao casal, atingindo o braço do homem com o retrovisor, o que iniciou uma discussão.
Testemunhas relataram que, durante o desentendimento, a policial teria agredido Thawanna com um chute e um soco. Em seguida, após uma reação da vítima, a soldado efetuou o disparo que atingiu o peito da ajudante-geral.
Imagens mostram que Thawanna permaneceu ferida no chão por mais de 30 minutos até receber atendimento.
Após o ocorrido, os dois policiais foram afastados das atividades operacionais nas ruas. A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso é investigado com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Além disso, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar, que terá prazo de 45 dias para conclusão.
Em nota oficial, a secretaria afirmou que lamenta profundamente a morte da vítima e prestou solidariedade aos familiares.
Relatos
Moradores da região afirmaram que, mesmo com pouco tempo de atuação, a soldado já era conhecida por abordagens consideradas agressivas e desrespeitosas.
O caso reacende o debate sobre o uso obrigatório de câmeras corporais por policiais e a necessidade de garantir que todos os agentes estejam devidamente equipados durante o serviço.