Decreto do prefeito Eduardo Paes registra a tradicional padaria do Leblon como patrimônio cultural imaterial do Rio e cria barreiras para projetos imobiliários em área disputada por construtoras.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A tradicional Padaria e Confeitaria Rio-Lisboa, um dos endereços mais conhecidos do Leblon, foi registrada como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Rio de Janeiro. O decreto foi publicado nesta quinta-feira pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) no Diário Oficial e ocorre em meio a uma disputa imobiliária estimada em cerca de R$ 30 milhões envolvendo o imóvel localizado na Avenida Ataulfo de Paiva.

A medida busca preservar atividades econômicas e tradições consideradas parte da memória cultural da cidade. Com o registro no Livro de Atividades Econômicas Tradicionais e Notáveis, a prefeitura cria mecanismos legais para evitar a descaracterização do estabelecimento, que funciona no mesmo endereço desde 1943.
Disputa imobiliária
O prédio onde funciona a Rio-Lisboa ocupa um terreno de aproximadamente 280 metros quadrados em uma das áreas mais valorizadas do Rio. O metro quadrado no Leblon ultrapassa os R$ 25 mil, o que tem atraído o interesse de incorporadoras interessadas em transformar o espaço em um novo empreendimento residencial.
Pelo menos quatro grandes empresas do setor imobiliário estariam entre as interessadas no local: Itten, TGB Imóveis, SIG Engenharia e Mozak. Além delas, o empresário Luis Alberto Abrantes, do Talho Capixaba — que já possui participação na confeitaria — também aparece nas negociações envolvendo o imóvel.
Proteção cultural
Com o decreto municipal, a padaria passa a receber a tradicional placa azul do Patrimônio Cultural Carioca. O reconhecimento não impede a venda do imóvel, mas cria restrições para mudanças que descaracterizem o negócio ou a atividade econômica ali desenvolvida.
Na prática, eventuais projetos imobiliários terão de considerar a preservação da memória e da atividade tradicional do local. Empreendimentos que não integrem a padaria original ao projeto podem enfrentar dificuldades para aprovação.
Avaliação
Os proprietários da Rio-Lisboa pedem cerca de R$ 30 milhões pelo imóvel. No entanto, avaliações feitas no mercado indicam que o terreno, mesmo somado à área de um prédio vizinho, poderia valer aproximadamente R$ 14 milhões.
O novo status de patrimônio cultural também tem potencial para influenciar as negociações, já que limita a possibilidade de demolição completa do espaço para construção de novos condomínios.
Registro
De acordo com o decreto, o registro como patrimônio cultural imaterial terá validade de dez anos e poderá ser renovado. A proteção, no entanto, pode ser cancelada caso o estabelecimento encerre suas atividades ou perca as características que justificaram o reconhecimento.
Para a prefeitura, a medida busca preservar práticas e modos de vida tradicionais que fazem parte da identidade cultural da cidade, especialmente em bairros onde o avanço imobiliário tem transformado rapidamente a paisagem urbana.