Com emissões que retratam a identidade nacional, os selos seguem como instrumentos de cultura, história e preservação.
Por Redação, com ACS – de Brasília
O professor aposentado de comunicação da Universidade de Brasília, Luiz Martins da Silva, mantém uma paixão que já dura mais de seis décadas: os selos postais. Aos 75 anos, ele é filatelista desde os 12 e possui um acervo com mais de 100 mil selos, com ênfase nos coloniais portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, italianos, holandeses, entre outros.

– Sou de uma época em que a gente começava montando uma coleção de ‘universais’, ou seja, de todos os países. Com dedicação, fiquei com Brasil e alguns países, com foco em ‘selos clássicos’, ou seja, mais antigos, preferencialmente até os anos 1950. A filatelia é uma ampla fonte de cultura, história, geografia, nacionalidade e investimento. O selo brasileiro é um dos mais procurados do mundo – conta Luiz.
Estima-se que existam cerca de 8 mil filatelistas ativos no Brasil. Considerados guardiões da história, da cultura e da identidade nacional, ganharam um dia só para eles: 5 de março, data em que Dom Pedro I assinou um decreto, em 1829, que organizava os serviços de Correios no Brasil, um dos primeiros regulamentos postais do país.
A decisão de tornar o 5 de março o “Dia do Filatelista”, porém, ocorreu somente em 1969, em São Paulo, durante um congresso organizado pela Comissão Estadual de Filatelia.
Colecionar selos atrai pessoas de todas as idades, como é o caso de Beatriz Vasconcellos Espindola, de 19 anos, que começou sua coleção nos tempos de escola. “O Colégio Mackenzie iniciou um projeto em parceria com Reinaldo Macedo e Vidal chamado MackStamps, uma espécie de clube de filatelia para os alunos que estivessem interessados. Eu me inscrevi e foi assim que começou o meu interesse”, conta.
Ela tem uma coleção chamada Animais do Ártico e da Antártica, já participou de várias exposições e soma cerca de 14 premiações. “Meus amigos acham diferente, não consideram que seja uma atividade jovem”, diz. Mas ela acredita que “colecionar selos é algo incrível, principalmente agora, com tudo digital e rápido. Os selos trazem história e é uma atividade que, além de ser muito legal, treina disciplina e persistência na busca por materiais”, finaliza.
A paixão por carros fez Pedro Jacobina, servidor do Ministério das Comunicações, começar também sua coleção, que hoje conta com mais de 400 peças, com acervo majoritariamente voltado à Fórmula 1 e a automóveis. O primeiro selo que ele adquiriu foi uma homenagem a Ayrton Senna, campeão mundial de 1988.
Pioneirismo
O Brasil foi o primeiro país da América e o segundo do mundo a utilizar selos postais. Os primeiros foram apelidados de “Olho de Boi” pelo formato circular e simples, com valores de 30, 60 e 90 réis. Em 1844, foram emitidos pelos Correios e impressos na Oficina de Apólices da Casa da Moeda da Corte.
– O selo é muito mais que uma comprovação de pagamento ou de identificação do envio de correspondência. Ele é história e preservação cultural brasileira. Por décadas, foi o meio de representar, em todo o mundo, a nossa riquíssima flora e a identidade nacional – afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Anualmente, os Correios, estatal vinculada ao Ministério das Comunicações, lançam emissões que retratam personalidades, biodiversidade, patrimônio histórico, manifestações culturais e datas comemorativas, reforçando o papel dos selos como instrumentos de registro e valorização da identidade nacional.
Todos os selos estão disponíveis mediante solicitação ou podem ser adquiridos nas agências dos Correios, além dos canais digitais, como aplicativo e loja virtual. A estatal também disponibiliza o produto Coleção Anual de Selos, que reúne todas as emissões lançadas em cada ano. Atualmente, estão disponíveis as coleções dos anos de 2015, 2016, 2017, 2019, 2020, 2021 e 2022.