Investigação apontou que responsáveis pelo esquema cobravam R$ 25 por caminhão para descarte ilegal de resíduos em áreas de manguezal.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Civil realizou, nesta sexta-feira, uma operação contra lixões clandestinos explorados pela facção criminosa Comando Vermelho em Jardim Gramacho, na Baixada Fluminense. Até a última atualização, quatro pessoas foram presas em flagrante por crimes ambientais.

A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), que investigam o descarte irregular de resíduos em terrenos abertos localizados em áreas de manguezal, ecossistemas considerados estratégicos para o equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara.
Segundo a investigação, criminosos ligados à facção cobravam cerca de R$ 25 de cada caminhão para permitir o despejo de lixo nos terrenos.
Os policiais saíram para cumprir 86 mandados de busca e apreensão em Duque de Caxias e em endereços em diferentes municípios do estado, como Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes, além de São Lourenço, em Minas Gerais. Até o momento, 70 mandados já foram cumpridos.
Durante a operação, quatro homens foram presos em flagrante. Com um deles, a polícia apreendeu 2 araras-canindés e um papagaio. O preso não tinha autorização para criar as aves.
Descarte de lixo
Durante as investigações, a DPMA identificou um fluxo constante de caminhões descartando lixo comum em áreas sem licença ambiental em Jardim Gramacho. Segundo a polícia, os motoristas utilizavam acessos improvisados abertos com a derrubada de vegetação.
Na região também funciona o Centro de Tratamento de Resíduos de Duque de Caxias (CTR). De acordo com os investigadores, uma área de cerca de 40 mil metros quadrados próxima à Rodovia Washington Luís recebeu autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para atividades de transbordo e triagem de recicláveis por uma associação de moradores.
No entanto, após fiscalizações realizadas com apoio da perícia criminal, os agentes constataram que diferentes tipos de resíduos estavam sendo descartados irregularmente no local.
Controle armado
A polícia também identificou indícios de controle territorial por parte do tráfico na região. Segundo os investigadores, o acesso a uma das áreas de despejo exige a passagem por dezenas de barricadas.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, essa estrutura indicaria a aprovação de criminosos para permitir a circulação de caminhões até os pontos de descarte. As investigações apontaram ainda que os responsáveis pelo esquema cobravam cerca de R$ 25 por caminhão para liberar o despejo do lixo.
A ação segue em andamento.