De acordo com dados mais recentes da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), desde sábado, ao menos 100 mil pessoas fugiram de suas casas no Irã e 115 mil no Afeganistão.
Por Redação, com Lusa – de Teerã
Os conflitos no Médio Oriente causaram mais de 275 mil deslocados internos em alguns dos países mais afetados pelos ataques dos EUA e Israel ao Irã, como Líbano, Afeganistão e Paquistão, além do próprio Irã, segundo a Organização das Nações Unidas.

De acordo com dados mais recentes da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), desde sábado, ao menos 100 mil pessoas fugiram de suas casas no Irã e 115 mil no Afeganistão, país envolvido no conflito em curso com o Paquistão.
A agência da ONU estima que pelo menos 58 mil pessoas tenham sido deslocadas no Líbano, devido às hostilidades entre Israel e o Hezbollah. Outras agências da própria ONU, como o Programa Alimentar Mundial, apontam para um número de 65 mil.
No Paquistão, pelo menos 2,6 mil pessoas abandonaram as suas casas.
Os deslocados no Irã são, na sua maioria, pessoas que abandonaram a capital, Teerã, de onde estão saindo aproximadamente mil a 2 mil veículos, principalmente em direção ao norte, segundo dados da polícia de trânsito iraniana.
A Acnur informa que as áreas afetadas já tinham uma população deslocada de cerca de 24,6 milhões de pessoas, muitas das quais com enormes necessidades humanitárias, também partilhadas pelas comunidades de acolhimento.
Na terça-feira, a agência da ONU alertou que a escalada da guerra contra o Irã “ameaça sobrecarregar a capacidade humanitária” no Oriente Médio, que já está praticamente no limite.
Entenda o conflito
Pela segunda vez em oito meses, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa.
A ofensiva mais recente teve início no último sábado, quando EUA e Israel bombardearam a capital Teerã.
Foram confirmadas mortes de autoridades do país persa, como o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O Irã, por sua vez, disparou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
Ainda no primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado em 2015, sob o governo de Barack Obama, para inspeção internacional do programa nuclear iraniano. Israel e EUA sempre acusaram Teerã de buscar armas nucleares.
Os iranianos, por sua vez, defendem que o programa é para fins pacíficos e se colocavam à disposição para inspeções internacionais.
Por outro lado, Israel, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional do seu programa nuclear.
Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva contra Teerã exigindo, além do desmantelamento do programa nuclear, o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos de resistência a Israel como o Hamas, na Palestina, e Hezbollah, no Líbano.