Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

ONG cobra ações integradas para saneamento na Maré

ONG Redes da Maré destaca a necessidade de ações integradas para resolver o saneamento precário que afeta 200 mil moradores do Complexo da Maré.

Domingo, 12 de Abril de 2026 às 12:14, por: CdB

Nas contas da organização que atua na comunidade desde a década de 1980, cerca de 200 mil moradores sofrem com saneamento precário.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A solução definitiva para o saneamento básico no Complexo da Maré passa por soluções integradas, de esgotamento sanitário, abastecimento de água, drenagem e coleta de lixo. A avaliação é do coordenador da organização social Redes da Maré Maurício Dutra, que também defende a transparência e participação da comunidade nas obras.

ONG cobra ações integradas para saneamento na Maré | Poder público e iniciativa privada devem atuar juntos
Poder público e iniciativa privada devem atuar juntos

– Qualquer projeto de saneamento precisa considerar o crescimento populacional, as características urbanas da região, os impactos de chuvas intensas, que, frequentemente, provocam alagamento e mistura de água pluvial e esgoto – afirma Dutra.

Ele é coordenador do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais da Redes e morador da Nova Holanda, uma das 16 favelas que compõem o Complexo da Maré.

Nas contas da organização que atua na comunidade desde a década de 1980, cerca de 200 mil moradores sofrem com saneamento precário. Oriunda de ocupações e palafitas às margens da Baía de Guanabara, a Maré cresceu sem infraestrutura urbana, reflexo de “um histórico de desigualdade na urbanização da cidade”, avalia Maurício Dutra.

– A expansão desses serviços [de saneamento, na cidade] nunca foi homogênea – destaca o coordenador. Segundo ele, foram priorizadas “áreas de interesse econômico e político, especialmente as regiões mais ricas”, fruto de escolhas políticas.

Além disso, de acordo com o coordenador, menos de 1% do esgoto produzido na Maré é efetivamente tratado em estações próximas, enquanto parte significativa é despejada em canais e valões da região e que desaguam na Baía de Guanabara.

Recentemente, a concessionária Águas do Rio anunciou R$ 120 milhões em investimentos na Maré. A intenção é modernizar o abastecimento, intensificar a ligação de residências à rede de esgoto e instalar uma nova tubulação que captará os rejeitos para tratamento.

– O tronco coletor [a tubulação] atende uma das frentes dessa visão macro do saneamento, do esgotamento – diz Dutra, que cobra a prefeitura do Rio. “Mantemos a mobilização intensa para ter resolvidas a questão dos alagamentos e a gestão dos resíduos sólidos”, reforça. Segundo a Redes, a Maré produz 2% do lixo da cidade do Rio.

O descarte inadequado de lixo também preocupa a Águas do Rio, por risco de contaminação e entupimento do esgoto. “Não adianta a gente fazer a rede de esgoto e o lixo, quando chover, ir para dentro das redes”, analisa o presidente da concessionária, Anselmo Leal.

O gestor concorda que o problema é social e deve ser resolvido de forma integrada com o Poder Público. Ele acredita que mais investimentos públicos virão.

– Observamos que, quando a gente entra e consegue regularizar a questão do saneamento, as autoridades acabam se inspirando e gerando um ambiente próspero – afirma o presidente da concessionária.

Lixão da antiga Salsa e Merengue

Na Maré, melhorias na coleta de lixo devem chegar com o PAC Periferia Viva, realização do governo federal, em fase de licitação, com a prefeitura. A iniciativa prevê a instalação de cinco ecopontos com caixas compactadoras para dar conta do descarte de lixo 24 horas. Um dos pontos será em Novo Pinheiro, comunidade conhecida antes por Salsa e Merengue.

Ali, em substituição a um depósito irregular de lixo, às margens da Baía da Guanabara, o PAC prevê uma área urbanizada, com equipamentos de lazer e parquinho infantil.

– É verdade, tia, que vai ter um parquinho infantil aqui? – pergunta o menino Pedro Dantas*, de 6 anos, à reportagem da Agência Brasil, enquanto leva uma sacolinha de lixo de casa para o descarte. Com ele, em meio ao lixo, moscas e mau cheiro, o irmão de 4 anos anda de bicicleta.

Segundo a prefeitura, as obras do novo Parque Linear estão em fase de contratação.

*Nome fictício para preservar a identidade da criança.

Edições digital e impressa