Diante da preparação dos brasileiros para ir às urnas, a questão central que paira no ar é qual será o próximo movimento do chefe do Executivo norte-americano.
Por Redação, com NY Times – de Nova York, NY-EUA
O Brasil iniciou a construção de uma “barreira” de proteção na tentativa de resguardar a votação do próximo domingo contra uma possível interferência dos Estados Unidos, em um pleito classificado como o maior teste para a direita na América Latina e para o histórico recente de sucesso da influência de Donald Trump na região. A iniciativa foi relatada em reportagem do diário norte-americano New York Times (NYT).

De acordo com o diário nova-iorquino, um dos maiores do mundo, desde que assumiu o cargo na Casa Branca, Trump se tornou um “fiel articulador eleitoral”, de maneira que candidatos de direita alinhados a Washington venceram as últimas sete disputas regionais — com o republicano endossando explicitamente o vencedor em duas delas. Diante da preparação dos brasileiros para ir às urnas, a questão central que paira no ar é qual será o próximo movimento do chefe do Executivo norte-americano.
“O líder (norte-)americano não declarou abertamente apoio a nenhum candidato brasileiro. Mas o governo Trump, de forma mais sutil, impulsionou o candidato de direita Flávio Bolsonaro, que concorre contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda. Tendo observado o Sr. Trump interferir em outras eleições e vivenciado sua tentativa fracassada de ajudar o pai do Sr. Bolsonaro a evitar a prisão por conspiração para um golpe de Estado, o Brasil está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência dos EUA”, avaliou o NYT.
Sobretaxas
A apreensão central de autoridades brasileiras é que, em uma disputa tão acirrada pela Presidência da República, uma ajuda vinda de Trump possa pender a balança em favor do senador Flávio Bolsonaro. Integrantes do governo brasileiro apontaram que essa ajuda externa poderia vir acompanhada de “outras medidas” para prejudicar a imagem de Lula, após o anúncio de sanções contra ministros e magistrados brasileiros sob o pretexto de defesa de condenados pela trama golpista, além da imposição de sobretaxas contra produtos nacionais.
A influência por meio de redes digitais também acendeu alertas nas autoridades brasileiras. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, em publicação realizada nesta quinta-feira, adianta que o caso será levado aos organismos internacionais.
“É igualmente preocupante quando projetos políticos nacionais buscam respaldo no exterior para confrontar instituições da própria República. Nenhuma disputa interna justifica subordinar interesses nacionais a governos, partidos ou movimentos estrangeiros. Há algo maior em jogo: o país que deixaremos às próximas gerações. É o direito de cada geração de brasileiros decidir livremente o seu destino, proteger suas instituições e entregar aos seus filhos um país que não aceite que decisões sobre o Brasil sejam tomadas fora do Brasil. Nossa democracia pertence aos brasileiros. E assim deve permanecer”, concluiu Messias.