Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista.
Por Redação, com Lusa – de Manágua
A Nicarágua adiou para setembro a adoção de uma reforma constitucional que tem por objetivo excluir a oposição das eleições, como pretendido pelo Presidente Daniel Ortega. O anúncio foi feito na segunda-feira pela copresidente e esposa de Ortega, Rosario Murillo.

– Hoje começa o processo de consulta. Vai durar um mês, e vamos concluí-lo no final de agosto, para aprovar a reforma constitucional nos primeiros dias do mês da Pátria em setembro – disse Murillo.
A copresidente acrescentou que a proposta de reforma foi apresentada nesta terça-feira ao corpo diplomático em Manágua:
– Aguardamos os resultados deste primeiro encontro respeitoso e amigável.
O presidente do parlamento da Nicarágua, controlado pelo partido no poder, afirmou na semana passada que os deputados iriam votar no início de agosto a lei para impedir a participação da oposição nas eleições, a pedido de Ortega.
Gustavo Porras afirmou, em entrevista à imprensa local, que o parlamento e a autoridade eleitoral iriam “identificar os elementos-chave para não deixar brechas” que permitam durante as eleições “a terrível manipulação dos impérios e dos seus lacaios”.
Para efeito, uma comissão parlamentar iniciou contatos com o Conselho Supremo Eleitoral (CSE).
Daniel Ortega afirmou anteriormente que “não haverá mais eleições” no país.
O anúncio foi feito durante um comício oficial, em Manágua, para celebrar o 47.º aniversário da revolução sandinista, data que assinala a queda da ditadura em 1979.
A medida, disse, serve para impedir a oposição local, que acusou de ser vendida e submissa aos interesses norte-americanos, de utilizar as urnas para “se apoderar do Governo e do poder”.
Histórico
Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista. Perdeu o poder em 1990, mas foi reeleito em 2006 e, desde então, venceu sucessivas eleições (2011, 2016 e 2021) amplamente criticadas por observadores internacionais por não serem livres nem justas, devido à prisão de candidatos da oposição e à falta de concorrência credível.
A primeira-dama, Rosario Murillo, tornou-se vice-presidente da Nicarágua em janeiro de 2017.
Em fevereiro de 2025, o seu cargo foi elevado a copresidente da Nicarágua, através de reformas constitucionais.