Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2026

Nicarágua recua e adia reforma que elimina oposição das eleições

Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista.

Terça, 28 de Julho de 2026 às 10:37, por: CdB

Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista.

Por Redação, com Lusa – de Manágua

A Nicarágua adiou para setembro a adoção de uma reforma constitucional que tem por objetivo excluir a oposição das eleições, como pretendido pelo Presidente Daniel Ortega. O anúncio foi feito na segunda-feira pela copresidente e esposa de Ortega, Rosario Murillo.

Proposta de reforma será concluída até final de agosto

– Hoje começa o processo de consulta. Vai durar um mês, e vamos concluí-lo no final de agosto, para aprovar a reforma constitucional nos primeiros dias do mês da Pátria em setembro – disse Murillo.

A copresidente acrescentou que a proposta de reforma foi apresentada nesta terça-feira ao corpo diplomático em Manágua:

– Aguardamos os resultados deste primeiro encontro respeitoso e amigável.

O presidente do parlamento da Nicarágua, controlado pelo partido no poder, afirmou na semana passada que os deputados iriam votar no início de agosto a lei para impedir a participação da oposição nas eleições, a pedido de Ortega.

Gustavo Porras afirmou, em entrevista à imprensa local, que o parlamento e a autoridade eleitoral iriam “identificar os elementos-chave para não deixar brechas” que permitam durante as eleições “a terrível manipulação dos impérios e dos seus lacaios”.

Para efeito, uma comissão parlamentar iniciou contatos com o Conselho Supremo Eleitoral (CSE).

Daniel Ortega afirmou anteriormente que “não haverá mais eleições” no país.

O anúncio foi feito durante um comício oficial, em Manágua, para celebrar o 47.º aniversário da revolução sandinista, data que assinala a queda da ditadura em 1979.

A medida, disse, serve para impedir a oposição local, que acusou de ser vendida e submissa aos interesses norte-americanos, de utilizar as urnas para “se apoderar do Governo e do poder”.

Histórico

Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista. Perdeu o poder em 1990, mas foi reeleito em 2006 e, desde então, venceu sucessivas eleições (2011, 2016 e 2021) amplamente criticadas por observadores internacionais por não serem livres nem justas, devido à prisão de candidatos da oposição e à falta de concorrência credível.

A primeira-dama, Rosario Murillo, tornou-se vice-presidente da Nicarágua em janeiro de 2017.

Em fevereiro de 2025, o seu cargo foi elevado a copresidente da Nicarágua, através de reformas constitucionais.

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