Rio de Janeiro, 18 de Abril de 2026

Não há espaço para o fascismo no Brasil, afirma Lula

Lula defende a democracia no Brasil e critica Trump, ressaltando a importância do multilateralismo e da soberania nacional em meio a pressões geopolíticas.

Sábado, 18 de Abril de 2026 às 13:58, por: CdB

O presidente também abordou o cenário internacional e criticou o mandatário norte-americano Donald Trump, em uma defesa ferrenha do multilateralismo e de defesa da soberania brasileira diante das pressões geopolíticas.

Por Redação, com Der Spiegel – de Barcelona (Espanha)

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro deste ano significa a imposição do sistema democrático sobre o regime fascista. A declaração de Lula à revista alemã Der Spiegel, neste sábado, impõe limites ao avanço do fascismo, no país.

Não há espaço para o fascismo no Brasil, afirma Lula | O fascismo tem ganhado espaço no país, ao longo dos últimos anos
O fascismo tem ganhado espaço no país, ao longo dos últimos anos

— Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas  — afirmou Lula.

O presidente também abordou o cenário internacional e criticou o mandatário norte-americano Donald Trump, em uma defesa ferrenha do multilateralismo e de defesa da soberania brasileira diante das pressões geopolíticas.

 

Oriente Médio

Na entrevista, Lula tratou ainda do acordo entre Mercosul e União Europeia, da relação com a Alemanha, da guerra no Oriente Médio, da crise internacional provocada pela escalada militar liderada por grandes potências e da situação política na América Latina.

Na conversa com os jornalistas alemães, o presidente apresentou o Brasil como uma democracia sólida e insistiu que o mundo vive um momento de desordem que exige mais diálogo, mais equilíbrio institucional e menos imposições unilaterais.

Ao comentar o ambiente político brasileiro e a possibilidade de uma nova disputa presidencial, Lula demonstrou confiança na vitória das forças democráticas e fez a declaração mais forte da entrevista.

— O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, nós vamos ganhar esta eleição e fazer com que a nossa democracia fique ainda mais estável. Aqui não há lugar para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia — garantiu.

 

Extrema direita

A declaração revela o ponto de vista do líder brasileiro sobre o momento político, no país, ainda marcado pelos efeitos da tentativa de ruptura institucional promovida por setores da extrema direita após sua eleição. Lula reforçou que o Brasil dispõe hoje de instituições mais preparadas para reagir a ataques contra a ordem democrática e ressaltou a responsabilização de envolvidos em ações golpistas.

— É a primeira vez na nossa história que um ex-presidente e quatro generais foram responsabilizados por seus atos — ressaltou, ao apoiar o funcionamento da Justiça como condição essencial para impedir recaídas autoritárias.

Em outro trecho definitivo da entrevista, Lula não poupa críticas a Trump. Ao analisar as atitudes de Washington diante de outros países, o presidente brasileiro reafirma que “Trump não foi eleito imperador do mundo”.

— Ele não pode ameaçar outros países o tempo todo com guerra — acrescentou.

A ordem internacional vive um processo acelerado de deterioração, constata. 

— Precisamos colocar este mundo em ordem; ele está se transformando em um único campo de batalha — concluiu.

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