Investigação aponta esquema de propina para prestação de segurança privada a comerciantes durante expediente policial.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prendeu, nesta terça-feira o cabo da Polícia Militar Michel Maia Rodrigues e denunciou outros 10 policiais militares por suspeita de participação em um esquema de corrupção em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

A ação é um desdobramento da Operação Patrinus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que investiga desvios de conduta de agentes lotados no 39º BPM (Belford Roxo) desde 2024.
Segundo o MPRJ, os policiais recebiam propinas semanais para prestar segurança armada a comerciantes durante o horário de serviço no batalhão. A Justiça Militar determinou o afastamento dos denunciados das funções e suspendeu o porte de arma de todos os envolvidos.
Esquema
As investigações indicam que o esquema funcionou entre outubro de 2021 e fevereiro de 2024. De acordo com a denúncia, Michel Maia atuava como intermediador dos pagamentos e também manteria ligação com uma milícia que atua na região.
O Ministério Público afirma que os valores eram pagos semanalmente a Michel, que distribuía o dinheiro aos policiais escalados para atuar na segurança dos estabelecimentos.
Mensagens analisadas pelos investigadores mostram comerciantes cobrando a presença de viaturas e policiais nos locais. Além disso, a quebra de sigilo bancário identificou dezenas de transferências financeiras entre os envolvidos, em datas e valores compatíveis com o esquema investigado.
A Operação Patrinus já resultou em outras fases desde 2024. Em maio daquele ano, 13 PMs foram presos sob suspeita de vender armas e drogas apreendidas, além de cobrar propina de comerciantes, mototaxistas e motoristas de transporte alternativo.
Em 2025, novas denúncias e prisões ocorreram relacionadas ao uso de policiais como seguranças privados durante o expediente oficial.
Empresário
A Polícia Civil investiga a morte do empresário Anízio Portugal Maia, de 57 anos, encontrado morto na Estrada da Fazenda São José, em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio, no último sábado.
Segundo relatos de testemunhas, criminosos invadiram o sítio da família, renderam os moradores e mantiveram todos sob ameaça durante a ação. As vítimas também teriam sido obrigadas a realizar transferências bancárias aos suspeitos.
Após o assalto, Anízio teria sido levado pelos criminosos como refém. Pouco tempo depois, policiais militares encontraram o empresário morto ao lado de um veículo abandonado com as portas abertas.
Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram a morte do empresário e cobraram justiça. “Homem trabalhador, honesto, bom e íntegro”, escreveu uma sobrinha. Outros conhecidos também destacaram o perfil tranquilo e trabalhador da vítima.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). De acordo com a Polícia Civil, a perícia foi realizada no local e diligências seguem em andamento para identificar os responsáveis pelo crime.