Programação diária vai até 30 de maio complementada por debate com o cineasta Walter Lima Jr, equipe do doc Edifício Master e muito mais.
Por Redação – do Rio de Janeiro
O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan), convida o público para a Mostra Nobreza Popular – o cinema de Beth Formaggini, retrospectiva que celebra a filmografia da historiadora e documentarista Beth Formaggini.

A abertura é neste sábado, às 18h, no jardim do Museu da República. Até o dia 30, todos os dias ocorrerão exibições na Biblioteca Amadeu Amaral, seguidas de debates com convidados especiais em diálogo com os respectivos filmes em questão. A programação é inteiramente gratuita. A mostra se integra à 24ª Semana Nacional de Museus. A realização é conjunta com a 4Ventos.
Na noite de abertura da Mostra, dia 23, às 18h, será exibido o longa Xingu Cariri Caruaru Carioca (2015), seguido de debate com o percussionista Bernardo Aguiar, integrante do grupo Pife Muderno. “O Centro Nacional é uma instituição muito importante na minha trajetória. Primeiro, como pesquisadora. Os arquivos contam com tesouros e sempre fui bem acolhida pela equipe, de grande generosidade. Outro fator primordial que me liga ao Centro foi ter sido amiga da Lelia Coelho Frota, que foi diretora. Ela realizou comigo o longa Nobreza Popular. Além disso, foi no Centro que assisti e depois apresentei documentários na Mostra Internacional do Filme Etnográfico. Filmes do mundo todo, com curadoria extremamente apurada”, destaca Beth.
Beth Formaggini é reconhecida por documentários que valorizam personagens, tradições e narrativas populares brasileiras. Dirigiu longas como Memória para uso diário, vencedor do júri popular no Festival do Rio; Xingu Cariri Caruaru Carioca, premiado no Festival In-Edit Brasil; e Pastor Cláudio, além de séries exibidas em canais como Curta! e CineBrasilTV. Também colaborou com Eduardo Coutinho em obras fundamentais do documentário brasileiro, como Edifício Master e Peões. A retrospectiva reúne longas, médias e curtas-metragens, além de episódios de séries documentais dirigidas por Beth Formaggini ao longo de mais de três décadas de atuação no cinema documental brasileiro.
– Mostrar meus filmes nessa retrospectiva especificamente dá a sensação de continuidade a tudo o que representa o Centro Nacional para mim. Poder estar próximo a estudantes faz toda diferença. Além de tudo, o telão no jardim do Museu da República vai ficar bem bonito. Estou muito satisfeita – afirma. Beth dirigiu os longas-metragens “Mário Carneiro – gravura feita com luz”, Memória para uso diário (prêmio do júri popular no Festival do Rio) e Xingu Cariri Caruaru Carioca (melhor filme no 8º Festival In-Edit Brasil). Em 2019, lançou o longa Pastor Cláudio (melhor filme no Festival de Vitória). Lançou as séries Sopro (Canal Curta, 2020) e Memória da mídia (CineBrasilTV, 2023).
Como curta-metragista, dirigiu Uma família ilustre (Grande Prêmio do Cinema Brasileiro), Angeli – 24 horas, Cidades invisíveis”, Nós somos um poema, Nobreza popular e Walter.doc.
Mergulho
A programação propõe um mergulho em temas como cultura popular, memória, música, artes visuais, comunicação, processos criativos e resistência política, acompanhando o olhar sensível do cineasta sobre diferentes manifestações da cultura brasileira. Dos pífanos do Nordeste às flautas indígenas do Xingu, da memória da mídia brasileira às marcas deixadas pela ditadura militar, os filmes constroem um amplo painel da história cultural do país. “Na Semana de Museus deste ano, o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e o Museu de Folclore Edison Carneiro decidiram retomar uma dimensão importante da trajetória e do trabalho realizado pelo Centro, que é o campo de documentação a partir do filme documentário etnográfico”, analisa Rafael Barros, diretor do CNFCP/Iphan.
A Mostra Nobreza Popular vai ao encontro da história da instituição. “O registro audiovisual sempre foi um instrumento importante de investigação no Centro Nacional e faz parte de seu rico acervo arquivístico. Essa dimensão marcou alguns importantes programas, como, por exemplo, o Etnodoc (Edital de apoio à produção e difusão de documentários etnográficos sobre o patrimônio cultural imaterial brasileiro), que por três edições fomentou e estimulou a produção do cinema etnográfico no Brasil”, pontua.
Além do Etnodoc, o CNFCP também realizou, entre 1995 e 2006, a Mostra Internacional do Filme Etnográfico, que ao longo de 11 edições marcou as discussões em torno da Antropologia Visual, valorizando em especial a documentação audiovisual do patrimônio imaterial no Brasil e em outras partes do mundo.
Ao longo da semana, o público poderá assistir a produções como Pastor Cláudio (2017), premiado no Festival de Vitória; Nobreza Popular (2003), documentário protagonizado pelas mulheres congadeiras do Vale do Jequitinhonha; Coutinho.doc – Apartamento 608 (2009), sobre o cineasta Eduardo Coutinho; além das séries Sopro (2020) e Memória da Mídia (2023), que abordam, respectivamente, os universos da música popular brasileira e da comunicação no país.
Os debates contarão com a participação de convidados como Walter Lima Jr., Eduardo Passos, Tania Colker, Helena Vieira, Claudio Muniz, Maria Lira Marques e integrantes da equipe do filme Edifício Master, ampliando as reflexões sobre cinema, memória e patrimônio cultural.
Programação:
Dia: 23 de maio
Sábado, às 18h
18h: Xingu Cariri Caruaru Carioca 2015 ‧ 90 min
Sinopse: O encontro entre as culturas populares e a cultura pop. Carlos Malta busca as origens musicais das flautas indígenas do Alto Xingu e dos pífanos de Pernambuco, Paraíba e Ceará, que desaguam no som urbano dos sopros no Rio de Janeiro.
19h30: Debate com a diretora Beth Formaggini, o percussionista Bernardo
Aguiar e a flautista Andrea Ernest Dias (músicos do Pife Muderno)
Dia: 24 de maio
Domingo
15h Memória da mídia 2023 ‧ série ‧ exibição de dois episódios ‧ 52 min (cada)
Sinopse: A série vem preencher uma lacuna na programação da TV ao discutir a mídia brasileira. Aborda a origem e os tempos áureos do rádio, o fotojornalismo, as rádios e TVs piratas e o cinema na televisão a partir da ótica do leitor, do ouvinte, do espectador e daqueles que integraram as equipes desses diferentes meios de comunicação no Brasil.
Revista O Cruzeiro – Os bambas da fotorreportagem
Sinopse: Apresenta o talento de Jean Manzon, José Medeiros, Luciano Carneiro e Luiz Carlos Barreto, o fio condutor da narrativa, mostrando a linguagem de cada fotógrafo e o impacto das novas tecnologias, como a câmera Leica, a preferida dos jovens fotógrafos. Estudiosos de fotografia situam a importância da revista e a contribuição ética e estética dessa equipe de ouro no fotojornalismo.
Sem concessão – Ondas livres no ar
Sinopse: Rádios e TVs livres questionam o monopólio dos meios de comunicação. A TVento Levou, a Rádio Frívola City, a Rádio Xilik e a TV Cubo dos anos 1980 e 1990, além da Rádio Pulga, Rádio Muda e Rádio Interferência neste século, buscam, em um ato de desobediência civil, a democratização do acesso aos meios. Ativistas conversam enquanto assistem à edição de seus arquivos até então secretos.
17h00: Coutinho.Doc – Apartamento 608 2009 ‧ 55 min
Sinopse: Um documentarista em crise diante de sua obra. Eduardo Coutinho visto bem de perto durante a criação do seu filme Edifício Master.
Local: Biblioteca Amadeu Amaral
18h: Edifício Master Direção: Eduardo Coutinho ‧ 2002 ‧ 110 min
Sinopse: Moradores do edifício, em Copacabana, compartilham suas vidas.
19h30: Debate com a diretora Beth Formaggini e membros da equipe do filme Edifício Master
Local: Jardim do Museu da República
Serviço: Mostra Nobreza Popular – O cinema de Beth Formaggini
Realização: 4VENTOS/CNFCP
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – Rua do Catete, 179
Telefones: (21) 3032-6052
E-mail: atendimento.cnfcp@iphan.gov.br
Programação sujeita a alterações | Entrada franca
A programação completa pode ser acessada em @museudefolclore.cnfcp