Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2026

Morre aos 92 anos Manoel Carlos, autor de grandes novelas da Globo

Manoel Carlos, autor de novelas icônicas como Laços de Família, faleceu aos 92 anos. Conheça sua trajetória e legado na teledramaturgia brasileira.

Sábado, 10 de Janeiro de 2026 às 21:53, por: CdB

Criador das icônicas “Helenas”, escritor marcou a teledramaturgia com novelas ambientadas no Rio e centradas nos conflitos da família brasileira. Ele estava internado em Copacabana, tratando da Doença de Parkinson.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Morreu neste sábado, aos 92 anos, o autor Manoel Carlos, um dos principais nomes da história da teledramaturgia brasileira. Conhecido por clássicos como Laços de Família (2001), Por Amor (1998) e Mulheres Apaixonadas (2003), o escritor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson. A informação foi confirmada pela família.

Morre aos 92 anos Manoel Carlos, autor de grandes novelas da Globo | Manoel Carlos morre aos 92 anos
Manoel Carlos morre aos 92 anos

Maneco, como era conhecido no meio artístico, enfrentava nos últimos anos o agravamento do quadro motor e cognitivo causado pela doença. A causa da morte não foi divulgada. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.

“A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz a nota divulgada.

As Helenas e o retrato da família brasileira

Uma das marcas registradas da obra de Manoel Carlos foram as personagens que carregavam o nome Helena, protagonistas de várias de suas novelas. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), as Helenas simbolizavam mulheres fortes, mães dedicadas e personagens centrais em tramas que tratavam de dilemas morais, afetivos e familiares.

Ao longo da carreira, o autor consolidou um estilo próprio, com histórias ambientadas em grande parte no Rio de Janeiro e diálogos que buscavam retratar a vida cotidiana, as relações familiares e os conflitos emocionais da classe média.

Trajetória artística

Manoel Carlos nasceu em São Paulo, em 1933, e apesar do gentílico na carteira de identidade, sempre se declarou carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, iniciou a carreira artística ainda jovem, aos 17 anos, como ator no programa Grande Teatro Tupi, da TV Tupi. No início da década de 1950, passou a atuar também como produtor, diretor e roteirista.

Antes de chegar à TV Globo, Maneco teve passagens por emissoras como Record, TV Rio, TV Excelsior e TV Itacolomi, além de ter adaptado mais de 100 teleteatros ao longo da carreira. Também trabalhou em programas históricos da televisão brasileira, como Família Trapo e atrações musicais da Record nos anos 1960.

Na Globo, estreou em 1972 como diretor-geral do Fantástico. Seis anos depois, escreveu sua primeira novela para a emissora, Maria, Maria, seguida pela adaptação de A Sucessora, de Carolina Nabuco.

Novelas marcantes e temas sociais

Entre os maiores sucessos da carreira estão Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003) e Páginas da Vida (2006). As tramas ficaram conhecidas não apenas pelo drama familiar, mas também por abordar temas sociais como violência doméstica, alcoolismo, doação de medula óssea, preconceito e inclusão.

Em Laços de Família, uma das cenas mais emblemáticas da teledramaturgia brasileira — a personagem Camila, vivida por Carolina Dieckmann, raspando o cabelo após ser diagnosticada com leucemia — tornou-se um marco cultural e ajudou a ampliar o debate sobre doação de medula no país.

Vida pessoal

Manoel Carlos deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com o pai em diversas obras. O autor também teve outros três filhos, que morreram antes dele: Ricardo de Almeida, Manoel Carlos Júnior e Pedro Almeida.

A última novela escrita por Maneco foi Em Família, exibida em 2014, que marcou sua despedida da teledramaturgia e encerrou o ciclo das Helenas na televisão brasileira.

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