Rio de Janeiro, 09 de Julho de 2026

Meta cria óculos com gravação contínua de áudio e imagens

Trata-se de um novo sistema concebido para que os usuários possam registrar seu dia a dia por meio dos óculos e recuperar informações.

Quinta, 09 de Julho de 2026 às 11:19, por: CdB

Trata-se de um novo sistema concebido para que os usuários possam registrar seu dia a dia por meio dos óculos e recuperar informações.

Por Redação, com Europa Press – de São Francisco

A Meta está trabalhando em um protótipo de óculos inteligentes de “superdetecção” que capturarão áudio continuamente e tirarão fotos do ambiente ao redor dos usuários a cada poucos segundos para armazenar essas informações e poder consultá-las posteriormente por meio de sua inteligência artificial (IA).

Meta testa óculos inteligentes com registro contínuo do ambiente

Trata-se de um novo sistema concebido para que os usuários possam registrar seu dia a dia por meio dos óculos e recuperar informações relacionadas posteriormente por meio da IA, por exemplo, perguntando sobre o que viram ou ouviram em um determinado momento do dia.

Isso foi detalhado por fontes ligadas à empresa de tecnologia em declarações ao Financial Times, que esclareceram que a Meta não armazenará as gravações de áudio nem as imagens não processadas, nem as compartilhará com os usuários posteriormente. Ela apenas extrairá os metadados desse conteúdo e os enviará ao servidor para analisá-los e poder responder às consultas relacionadas.

Ou seja, ela não armazenará o áudio nem as imagens propriamente ditas para exibi-las posteriormente, mas manterá os dados para que sua IA possa dispor dessas informações e responder aos usuários sobre seu dia a dia. Essa abordagem visa garantir maior privacidade aos usuários.

No entanto, as fontes também especificaram que a Meta está considerando não ativar o LED integrado para alertar que os óculos estão gravando quando as funções de “superdetecção” estiverem em uso.

Embora essa decisão não seja definitiva, a empresa se baseia no fato de que o dispositivo não gravará nem armazenará as imagens propriamente ditas, como acontece com a função específica de gravação dos óculos atuais, o que poderia causar confusão entre os usuários.

Especificamente, o LED integrado pisca continuamente quando a pessoa grava um vídeo e por um breve instante quando tira uma foto. No entanto, se ele permanecesse aceso o tempo todo, os usuários poderiam se acostumar demais e não perceber quando realmente estão gravando um vídeo ou tirando fotos, conforme já explicado pela empresa em um documento técnico.

Justamente, a Meta lançou nesta quarta-feira uma atualização para seus óculos inteligentes atuais, com um recurso que desativa a câmera quando o LED de captura está quebrado, como medida para evitar que alguém manipule ou quebre esse LED para gravar secretamente.

Essa decisão foi tomada diante do fato de que algumas pessoas têm coberto o LED indicador de gravação com fita adesiva para esconder que estão gravando secretamente, e algumas até oferecem serviços que alteram os óculos propositalmente.

IA

No entanto, é preciso levar em conta que a empresa está explorando a possibilidade de incorporar esses recursos de superdetecção aos óculos já existentes da Meta por meio de uma atualização de software. Além disso, também está debatendo internamente se utilizará os dados coletados por meio desses recursos para treinar seus próprios modelos de IA.

Esse novo protótipo de óculos de “superdetecção” está sendo desenvolvido em um momento em que a empresa liderada por Mark Zuckerberg está sob os holofotes por questões de privacidade, precisamente ligadas aos seus atuais óculos inteligentes.

Especificamente, em junho passado, a empresa teve que retirar um código de reconhecimento facial que havia sido instalado secretamente em milhões de celulares e que teria permitido identificar as pessoas capturadas pela câmera integrada aos óculos, por meio de uma tecnologia conhecida internamente como “Name Tag”.

Nessa mesma linha, em março deste ano, uma investigação revelou problemas de privacidade para os usuários dos óculos inteligentes da Meta, a ponto de vídeos sensíveis — nos quais aparecem nus ou no banheiro — acabarem sendo vistos por revisores humanos da empresa no Quênia.

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