O BRB financiou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, com 2.400 m².
Por Redação – de Brasília
A possível delação do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, exonerado em novembro de 2025, levanta novas suspeitas quanto à atuação do governo de Jair Bolsonaro na ‘Operação Compliance Zero’, da Polícia Federal (PF). Costa é investigado por fraudes bilionárias no caso do Banco Master, entre elas o financiamento que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje pré-candidato à Presidência da República pelo PL, comprar uma mansão milionária, no Lago Sul.

O BRB financiou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro comprasse um imóvel de R$ 5,97 milhões no luxuoso Setor de Mansões Dom Bosco, com 2.400 m². As taxas nominais nominais do empréstimo giraram entre 3,65% e 3,71% ao ano (mais IPCA), algo impensável para até os clientes mais importantes do banco estatal.
Imóveis
O operação foi classificada, à época, como “taxa de mercado”, com aval direto da diretoria colegiada presidida por Costa. A origem dos recursos para a aquisição do imóvel, no entanto, coloca no cenário o ex-militar Fabrício Queiroz. Ex-assessor e amigo de Jair Bolsonaro desde os anos 1980, quando serviram juntos na Vila Militar, Queiroz tornou-se o braço direito da família.
O ex-assessor é apontado pelo Ministério Público como o “operador financeiro” de um esquema de peculato (a rachadinha) no antigo gabinete de Flávio na Alerj. Queiroz coordenava a coleta de salários de assessores e gerava um fluxo de dinheiro vivo que, segundo os promotores, servia para pagar despesas pessoais da família e irrigar transações imobiliárias.
Segundo as investigações do Ministério Público Estadual (MPE), o filho o filho ’01’ de Bolsonaro adquiria imóveis por valores subfaturados na escritura, pagando a “diferença” por fora com o dinheiro vivo arrecadado por Queiroz, para depois revendê-los a preço real de mercado.
Processo
De acordo com a investigação, a manobra permitiu que, entre 2010 e 2017, o senador registrasse um lucro oficial de cerca de R$ 3 milhões em 19 salas e apartamentos com a lavagem do dinheiro da rachadinha dos funcionários da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sob a aparência de ganho imobiliário.
Queiroz ocupa, atualmente, o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública em Saquarema (RJ). Nomeado em janeiro de 2025 pela prefeita Lucimar Vidal (PL), o aliado encontrou abrigo em uma prefeitura controlada pelo partido bolsonarista.
Em julho de 2024, o STF acatou as decisões que anularam as provas do caso das rachadinhas por questões processuais. O ato não declara a inocência de Flávio Bolsonaro, mas o exime de culpa pela incapacidade técnica de usar os dados bancários anexados ao processo.
Suspeitos
Uma vez livre da ação judicial, Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão, cerca de R$ 3,4 milhões, em apenas seis pagamentos, em uma transação considerada atípica por analistas financeiros. Os valores individuais das parcelas foram de R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e uma última, no valor de R$ 997.000.
O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário. No caso da loja de doces, em um shopping carioca, a suspeita recai sobre o faturamento linear, ao longo dos anos, sem um traço sequer da sazonalidade inerente ao negócio. O faturamento na venda de chocolates, na franquia do ’01’, era o mesmo tanto no carnaval quanto na Páscoa.
A campanha do pré-candidato bolsonarista está em alerta para o caso de Paulo Henrique Costa fechar um acordo para a possível redução da sentença, uma vez que; além do empréstimo milionário para o hoje pré-candidato ao Planalto, teria aprovado R$ 978 mil em empréstimos pessoais. Caso o ex-presidente do BRB entregue o envolvimento do banco no esquema do Banco Master, dificilmente o nome de integrantes da família Bolsonaro ficarão de fora da lista de suspeitos.