Rio de Janeiro, 04 de Junho de 2026

Máfia da farinha controlava vendas com intimidação a comerciantes

Polícia Civil investiga máfia da farinha que extorquia comerciantes no Rio de Janeiro, impondo monopólio no abastecimento de mercadorias.

Quarta, 03 de Junho de 2026 às 12:46, por: CdB

Ação da Polícia Civil investiga esquema de extorsão que impunha monopólio no abastecimento de mercadorias em áreas nas Zonas Oeste e Norte do Rio.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) fazem, nesta quarta-feira, uma operação contra criminosos que impõem monopólio ilegal no abastecimento de alimentos e extorquem comerciantes em regiões sob influência de traficantes e milicianos nas Zonas Oeste e Norte do Rio. 

Máfia da farinha controlava vendas com intimidação a comerciantes | Na ‘máfia da farinha’, os comerciantes são obrigados a adquirir mercadorias com fornecedores indicados pelo tráfico
Na ‘máfia da farinha’, os comerciantes são obrigados a adquirir mercadorias com fornecedores indicados pelo tráfico

Os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em endereços naquelas regiões. Um dos endereços alvos é um galpão repleto de sacas de farinha em Campo Grande, na Zona Oeste.

Segundo as investigações, o grupo intimidava e ameaçava os comerciantes para que eles comprassem farinha exclusivamente de fornecedores ligados ao tráfico e paramilitares.

Conforme a polícia, o esquema atingia principalmente pequenos e médios empresários da Baixada Fluminense e da Zona Oeste do Rio, que acabavam dependentes da organização para manter seus negócios.

Extorsão 

De acordo com a Polícia Civil, os comerciantes sofreram constantes ameaças de represálias, prejuízos financeiros e até fechamento dos estabelecimentos caso deixassem de seguir as ordens dos bandidos. Além disso, as vítimas também eram forçadas a comprar mercadorias em quantidades superiores às necessárias, por preços acima do mercado.

Ainda segundo a investigação, os envolvidos usavam uma estrutura empresarial para dar aparência de legalidade às atividades ilícitas. 

Já a exploração econômica fazia parte de uma estratégia mais ampla de domínio territorial. Conforme os investigadores, tráfico e milícia estariam ampliando sua influência sobre comércios para fortalecer o controle exercido em determinadas regiões do estado.

Segundo a Polícia Civil, a operação desta quarta-feira tem como objetivo apreender documentos, registros contábeis, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam auxiliar no aprofundamento das investigações. Até o momento, não há registro de presos.

Lavagem

A Polícia Federal (PF) realizou na terça-feira, uma operação desdobramento de uma investigação iniciada em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em espécie, armas de fogo e prenderam cinco suspeitos, entre eles um policial militar da ativa.

A nova fase da investigação buscou identificar a estrutura financeira de uma organização criminosa suspeita de atuar na lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro. A ação incluiu o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, além da prisão preventiva de um investigado no Aeroporto Internacional do Galeão.

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após uma operação realizada em março deste ano no Centro de Niterói. Na ocasião, cinco pessoas foram presas em flagrante dentro de uma agência bancária localizada na Avenida Ernani do Amaral Peixoto.

Durante a abordagem, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 800 mil em dinheiro vivo e armas de fogo. A partir desse material, a PF passou a investigar a possível existência de uma organização criminosa especializada na movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita.

Nesta terça-feira, policiais da Unidade de Investigações Sensíveis da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (UIS/DELEFAZ) cumpriram um mandado de busca e apreensão em um imóvel na Barra da Tijuca.

De acordo com a investigação, o alvo da medida teria papel de comando operacional e financeiro dentro da organização. Ele seria responsável por recrutar pessoas para o transporte e a escolta de valores, além de coordenar movimentações financeiras suspeitas ligadas à lavagem de dinheiro.

Na noite de segunda-feira, agentes da Delegacia de Repressão a Drogas (DRE) prenderam preventivamente um dos investigados no Aeroporto Internacional do Galeão.

Tanto a prisão quanto o mandado de busca foram autorizados pela 2ª Vara Federal de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Investigação

A Polícia Federal informou que a operação tem como objetivo reunir novas provas, identificar outros participantes do esquema e compreender o funcionamento da estrutura financeira utilizada pelo grupo.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, além de outros delitos que possam ser identificados ao longo das apurações.

 

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