Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Lula sugere o nome de Alckmin para o Ministério da Fazenda, se vencer ’01'

A escolha de Alckmin teria como objetivo dar uma sinalização de estabilidade aos agentes econômicos.

Segunda, 05 de Outubro de 2026 às 17:42, por: CdB

A escolha de Alckmin teria como objetivo dar uma sinalização de estabilidade aos agentes econômicos.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda apresentar o candidato a vice-presidente na chapa, Geraldo Alckmin, como futuro ministro da Fazenda caso seja reeleito, numa tentativa de reforçar a confiança na condução da economia e ampliar o apoio entre eleitores de centro no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)), ou filho ’01’ como também é conhecido. A informação foi publicada nesta segunda-feira pela agência inglesa de notícias Reuters.

Alckmin
A proposta prevê que Alckmin acumule a Vice-Presidência com o comando da Fazenda

A proposta ainda está em análise e prevê que Alckmin acumule a Vice-Presidência com o comando da Fazenda a partir de 2027. Procurado pela Reuters, o Palácio do Planalto não comentou a informação. O movimento ocorre após ’01′ terminar o primeiro turno à frente de Lula. Com a maioria absoluta das urnas apuradas, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambos disputarão o segundo turno, em 25 de outubro.

A escolha de Alckmin teria como objetivo dar uma sinalização de estabilidade aos agentes econômicos. A avaliação é que, por ocupar simultaneamente a Vice-Presidência, ele teria maior peso político e autonomia na condução da política econômica, além de menor risco de ser substituído durante o mandato.

Situação

A estratégia também teria um componente eleitoral. A campanha de Lula pretende disputar eleitores de centro que demonstram preocupação com a situação fiscal do país, mas que resistem à candidatura de Flávio Bolsonaro. Lula já indicou publicamente que pretende explorar o histórico administrativo de Alckmin durante a campanha.

Em pronunciamento logo após a apuração do primeiro turno, o presidente afirmou: “ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal pra mim e para o Alckmin, pelo que ele fez no Estado de São Paulo e pelo que nós fizemos no Brasil”.

Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos e foi adversário de Lula na eleição presidencial de 2006. A aproximação entre os dois ocorreu antes da campanha de 2022, quando o ex-tucano foi escolhido para integrar como vice a chapa que derrotou Jair Bolsonaro.

Comando

O vice-presidente também comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante os três primeiros anos do atual governo. Ele deixou a pasta em abril de 2026 para cumprir as regras de desincompatibilização eleitoral e foi substituído por Márcio Elias Rosa.

Essa é uma correção importante em relação ao despacho da Reuters, que descreve Alckmin como atual ministro do Desenvolvimento. Desde abril, ele exerce apenas a Vice-Presidência. Documentos oficiais do governo também mostram Márcio Elias Rosa à frente do MDIC nas negociações comerciais recentes com os Estados Unidos.

Lula já havia considerado entregar o comando da economia a Alckmin depois da eleição de 2022, mas optou inicialmente por Fernando Haddad. A composição da equipe econômica, porém, sofreu alterações durante o mandato.

A possível indicação do vice à Fazenda ganha peso depois da reação dos mercados ao resultado das urnas, nesta segunda-feira. Segundo a Reuters, investidores passaram a apostar em maiores chances de uma mudança na política fiscal diante da vantagem de ’01′ no primeiro turno e do avanço da direita no Congresso.

O desempenho eleitoral contrariou pesquisas divulgadas às vésperas da votação. No levantamento do Datafolha realizado nos dias 2 e 3 de outubro, por exemplo, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio tinha 42%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro.

Na apuração oficial, entretanto, Flávio terminou cerca de 1,9 ponto percentual à frente de Lula. A diferença entre os dois foi a menor já registrada entre os dois candidatos mais votados em um primeiro turno presidencial desde o fim da ditadura militar.

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