Rio de Janeiro, 30 de Junho de 2026

Lula propõe que PIX seja utilizado por todos os países do Mercosul

Lula também lembrou, em sua fala aos demais chefes de Estado, que a integração financeira pode reduzir custos, estimular o comércio entre os países do bloco,...

Terça, 30 de Junho de 2026 às 21:08, por: CdB

Lula também lembrou, em sua fala aos demais chefes de Estado, que a integração financeira pode reduzir custos, estimular o comércio entre os países do bloco, ampliar o uso de moedas locais e aumentar a proteção regional diante de crises internacionais.

Por Redação, com ABr – de Assunção

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a propor, nesta terça-feira, que o PIX seja disseminado pelos países do Mercosul como referência para uma estrutura de pagamentos no bloco econômico, apesar dos protestos e da pressão política exercida pelos Estados Unidos. Lula discursou na abertura 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, na capital paraguaia.

Lula, Mercosul
Lula também vem defendendo alterações em pontos do acordo de livre comércio

Lula também lembrou, em sua fala aos demais chefes de Estado, que a integração financeira pode reduzir custos, estimular o comércio entre os países do bloco, ampliar o uso de moedas locais e aumentar a proteção regional diante de crises internacionais. O presidente também associou a agenda digital à necessidade de o Mercosul agir de forma conjunta em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, protecionismo e fragmentação da economia mundial.

— Hoje nos confrontamos com uma região e mundo profundamente transformados. Rivalidades geopolíticas crescem, o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam os preços dos alimentos e da energia — afirmou Lula.

 

Desafios

O líder brasileiro também criticou o protecionismo, classificado por ele como uma resposta “falaciosa” aos desequilíbrios macroeconômicos globais. E ressaltou que a fragmentação da economia mundial impõe desafios severos ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável. Ao saiu em defesa do fortalecimento do bloco, Lula disse que o Mercosul deve ser visto como instrumento estratégico em um ambiente internacional mais instável.

— Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica — afirmou.

O presidente citou dados do comércio regional para sustentar a importância do bloco. Segundo pontuou, desde a criação do Mercosul, o comércio entre os países membros passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 50 bilhões em 2025. O presidente também afirmou que, no ano passado, o intercâmbio do bloco com o restante do mundo cresceu mais de 100% em relação a 2024 e chegou a quase US$ 770 bilhões.

 

Tratado com UE

Para o presidente, que concorre à reeleição, o Mercosul voltou a atuar com ambição no cenário internacional. Lula mencionou o acordo com a União Europeia (UE) e ressaltou que o bloco contraria “as expectativas de quem acreditava que o acordo com a União Europeia jamais sairia do papel”.

Lula também destacou negociações com Canadá, Índia e Vietnã; além do lançamento de tratativas para uma parceria econômica com o Japão.

— Em breve, queremos fazer o mesmo com a China, e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta — adiantou.

 

Pragmatismo

Diante do pensamento neofascista, que se espalha pelo subcontinente, o governo brasileiro aposta em uma relação bilateral com os vizinhos de direita ou extrema-direita focada em agendas pragmáticas que sejam imunes à ideologia, como infraestrutura, energia, combate ao crime organizado e cooperação no enfrentamento a desastres naturais.

A vitória de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo De La Espriella, na Colômbia; além das eleições de representantes de direita no Chile, Equador e Bolívia, no ano passado, deixaram o Brasil como praticamente a única força humanista do continente americano, junto com México e Cuba, que também pena sob o cerco norte-americano. 

Para a diplomacia do Itamaraty, no entanto, as questões regionais não devem prejudicar as relações bilaterais entre o Brasil e seus vizinhos. A única exceção seria Javier Milei, na Argentina, que não esconde uma posição mais hostil ao governo brasileiro.

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