Embora sejam esperadas poucas decisões concretas do retiro no castelo belga de Alden Biesen, o encontro dará pistas sobre se os 27 Estados-membros da UE podem superar os interesses próprios.
Por Redação, com Reuters – de Bruxelas
Os líderes da União Europeia (UE) reafirmaram, nesta quinta-feira, a urgência em encontrar formas de reduzir os custos de energia e melhorar o funcionamento do mercado interno do bloco, para que as empresas europeias possam ser competitivas e sobreviver à rivalidade econômica agressiva dos Estados Unidos e da China.

Embora sejam esperadas poucas decisões concretas do retiro no castelo belga de Alden Biesen, o encontro dará pistas sobre se os 27 Estados-membros da UE podem superar os interesses próprios e chegar a um acordo sobre um plano de ação conjunto.
— Compartilhamos um senso de urgência de que nossa Europa precisa agir — disse o presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz. Ambos — que discordam sobre muitas das possíveis soluções — chegaram juntos para a reunião da UE.
Unificação
Muitos dos líderes compartilharam o mesmo senso de urgência e de frustração com a falta de progresso, em grande parte causada por eles mesmos, na unificação das economias do bloco.
— Há tanta conversa e tão pouca ação, e esta é uma oportunidade para, pelo menos, reverter essa tendência — afirmou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.
O primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, foi ainda mais direto:
— Apenas palavras, conferências e nenhuma ação.
Retórica
As discussões nos próximos dias abrangerão temas como a forma de aprofundar o mercado único da UE, avançar com uma união dos mercados financeiros da UE para permitir ao bloco investir em grande escala e reduzir os elevados custos de energia da Europa. Esses temas irão testar a disponibilidade dos Estados-membros para comprometer seus interesses individuais e agir de acordo com a retórica a favor do crescimento.
— Temos que ter um mercado energético unificado, essa é a única solução — disse Babis, ecoado por muitos outros líderes.
As indústrias na Europa enfrentam preços de energia que são mais do que o dobro dos praticados nos EUA e na China, mostram dados da UE.
— A principal questão para a indústria europeia neste momento são os custos da energia. Não somos competitivos e corremos o risco de perder a indústria petroquímica, a indústria siderúrgica, os metais e, claro, esta é a base de toda a prosperidade — afirmou o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, um dia depois de líderes empresariais terem instado a UE a agir nesse sentido.
Hegemonia
Macron já havia renovado seu pedido, na terça-feira, para que a UE embarque em mais empréstimos comuns para investir em grande escala e desafiar a hegemonia do dólar. A França também está promovendo uma estratégia ‘Feito na Europa’ que estabeleceria requisitos mínimos para o conteúdo europeu em bens comprados com dinheiro público.
A Alemanha discorda de ambas as ideias e afirma que a chave é aumentar a produtividade, em vez de criar novas dívidas. Também salienta a necessidade de acordos comerciais, como com o Mercosul, o que a França rejeita.
— Estamos discutindo há muito tempo e acho que é hora de tomar decisões, porque… o tempo está se esgotando — resumiu o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.