Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Justiça penhora imóvel ligado a Renato Aragão no Rio

Decisão em execução fiscal prevê prazo de 30 dias para contestação; propriedade no Rio de Janeiro foi anunciada por R$ 18 milhões.

Quinta, 29 de Outubro de 2026 às 14:39, por: CdB

Decisão em execução fiscal prevê prazo de 30 dias para contestação; propriedade no Rio de Janeiro foi anunciada por R$ 18 milhões.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o prosseguimento de uma execução fiscal contra o humorista Renato Aragão, de 91 anos, e expediu mandado para penhora e avaliação de um imóvel relacionado à cobrança de tributos municipais. A decisão foi assinada na terça-feira pela juíza Kátia Cristina Nascentes Torres, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital.

Imóvel ligado a Renato Aragão é alvo de penhora no Rio

Segundo o documento, Aragão já havia sido citado, mas não pagou o débito. Por isso, a magistrada ordenou que um oficial de Justiça compareça pessoalmente ao imóvel para realizar a penhora e avaliar o bem. O artista também deverá ser intimado formalmente sobre a medida.

A partir da intimação, o humorista terá 30 dias para apresentar embargos à execução — instrumento que permite contestar a cobrança. A decisão determina ainda a intimação de Lilian Taranto, esposa de Aragão, e nomeia o próprio executado como depositário do imóvel.

Propriedade foi anunciada por R$ 18 milhões.

Localizada no Pontal Oceânico, na capital fluminense, a propriedade estava anunciada à venda desde maio de 2023 por R$ 18 milhões. O imóvel tem cerca de 48 hectares, aproximadamente 3 mil metros quadrados de área construída e IPTU anual informado de R$ 40 mil.

A estrutura inclui guarita de controle de acesso, heliponto e garagem com dez vagas. A mansão tem quatro suítes e, no primeiro piso, sala de estar com mais de 100 metros quadrados, biblioteca, escritórios, sala de jantar, adega, bar, copa-cozinha e dependências de serviço.

Na área externa, há piscina, churrasqueira, salão de jogos e de festas, quadra de tênis, campo de futebol, quadra poliesportiva, pomar e jardins. A suíte principal conta com quarto de vestir e banheiro com banheira de hidromassagem.

Márcio Poncio

Pastor evangélico, empresário do ramo do tabaco e figura conhecida nas redes sociais, Márcio Poncio, de 52 anos, voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira, durante a nona fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Três salas comerciais ligadas a ele, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, foram alvo de mandados de busca e apreensão.

Conhecido como “pastor do cigarro”, Poncio construiu sua trajetória empresarial no mercado do tabaco e também ganhou notoriedade nas redes sociais por ser o patriarca da família Poncio, que ficou conhecida pelos compartilhamentos sobre a rotina e a vida pessoal na internet. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, além de ser casado com a pastora Simone Poncio.

O empresário foi preso em julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à cúpula do jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro. Após a prisão preventiva ser convertida em domiciliar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele deixou a cadeia e passou a cumprir a medida em casa.

Nascido no Rio de Janeiro, Márcio Poncio atua há mais de duas décadas no meio religioso e construiu patrimônio no setor do tabaco. Nas redes sociais, compartilha aspectos da rotina familiar e mantém uma imagem pública ligada à religião e à vida empresarial.

Na política, concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022. Recebeu cerca de 33 mil votos e terminou como segundo suplente.

Em 2026, também anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em uma eleição suplementar convocada após a cassação do mandato do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). Poncio, porém, não venceu a disputa, que teve Jonas Dico (Podemos) como eleito.

Na nona fase da Operação Unha e Carne, os agentes cumpriram mandados em quatro endereços na Barra da Tijuca, incluindo salas comerciais ligadas a Poncio. Segundo a Polícia Federal, os locais são apontados como possíveis estruturas operacionais e administrativas do grupo investigado.

A nova etapa busca aprofundar a apuração sobre uma suposta rede patrimonial usada para administrar recursos, ocultar bens e dissimular a identidade de seus verdadeiros proprietários. Entre os ativos identificados pelos investigadores estão imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, pessoas próximas e terceiros.

A PF também apura indícios de uso recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a rastreabilidade esperada e possível utilização de empresas nacionais e estrangeiras, entidades religiosas e holdings patrimoniais para ocultar a titularidade de bens.

Segundo a corporação, a nova fase foi desencadeada após a análise de dados extraídos de um celular apreendido na etapa anterior da operação. As informações teriam levado os investigadores a novos endereços, empresas e ativos que podem ter sido utilizados na movimentação de recursos.

Prisão

Márcio Poncio foi preso em 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, a investigação apurava suspeitas de pagamentos ligados ao jogo do bicho e à Máfia do Cigarro a agentes públicos.

A apuração avançou após a apreensão de listas atribuídas ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado pelos investigadores como chefe do grupo criminoso. O material continha registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras investigadas por possível ligação com lavagem de dinheiro.

A Operação Unha e Carne teve início com a investigação de um suposto vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun, realizada contra integrantes do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, o vazamento teria comprometido a ação policial e beneficiado investigados ligados à facção.

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