Rio de Janeiro, 07 de Junho de 2026

Jornalistas protestam contra prisão de Luan Araújo, ameaçado por Zambelli

Jornalistas se mobilizam contra a prisão de Luan Araújo, ameaçado por Carla Zambelli após críticas. Entidades denunciam a injustiça da condenação.

Domingo, 07 de Junho de 2026 às 16:02, por: CdB

Luan Araújo escreveu, na ocasião, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

Por Redação – de São Paulo

Uma série de instituições ligadas ao Jornalismo manifestaram-se, neste domingo, contrária à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, na capital paulista, que determinou a prisão, ainda que em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. Em outubro de 2022, Araújo foi perseguido e ameaçado pela deputada Carla Zambelli, a mão armada.

Jornalistas protestam contra prisão de Luan Araújo, ameaçado por Zambelli | O jornalista Luan Araújo foi perseguido pela então deputada Carla Zambelli
O jornalista Luan Araújo foi perseguido pela então deputada Carla Zambelli

A prisão ocorre após o juiz José Fernando Steinberg afirmar que o “condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. Araújo, que está desempregado, precisava pagar uma indenização de R$ 2,2 mil em vista da condenação por “difamação”. Ele foi considerado culpado por ter publicado um texto com críticas a Carla Zambelli.

Luan Araújo escreveu, na ocasião, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

 

Punição

Em nota, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira/Fenaj) criticaram a punição ao jornalista.

“(As entidades) vêm a público repudiar a decisão da Justiça paulista que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo em razão do não pagamento de R$ 2.216,30 decorrentes de uma condenação por difamação em ação movida pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)”, diz a nota conjunta.

 

Cenário

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial também divulgou o posicionamento de Luan Araújo, que prevê um período complicado pela frente.

“Estou triste com toda essa repercussão, mas também feliz por ver o acolhimento das pessoas”, escreveu.

Segundo a comissão, ele tem pedido apoio diante do cenário que tem enfrentado.

“Estou sem emprego e tentando buscar uma oportunidade de trabalho”, acrescentou.

 

Justiça

Após conhecer de sua condenação, Luan Araújo publicou nota nas redes sociais em que considera “injusta” a medida.

“Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na justiça por um texto que escrevi, onde a justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta”, afirmou.

Araújo também lamentou que a ex-deputada teve o pedido de extradição rejeitado pela Justiça da Itália.

“Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela”, protestou. Ele se considerou “desesperançoso”.

“Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela”, reconheceu.

 

Mão armada

Em dia 29 de outubro de 2022, antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Zambelli e Araújo tiveram um bate-boca e a então deputada sacou um revólver. Imagens divulgadas à época mostram Zambelli perseguindo o jornalista pelas ruas de São Paulo e dentro de uma lanchonete.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão em razão do episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

O Brasil pediu a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas acabou sendo cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.

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