Rio de Janeiro, 11 de Abril de 2026

Inflação, pressionada por combustíveis, sobe além do previsto

A inflação oficial subiu para 0,88% em março, superando expectativas. Descubra como os preços de combustíveis e alimentos influenciaram esse aumento.

Sexta, 10 de Abril de 2026 às 21:46, por: CdB

A pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters apontou, nesta manhã, que a expectativa de analistas era de alta de 0,77% em março, acumulando em 12 meses alta de 4%.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,88%. O resultado foi 0,18 ponto percentual mais alto do que em fevereiro, quando registrado 0,70%. O avanço foi puxado pelos preços dos grupos transportes e alimentação e bebidas. Juntos responderam por 76% do IPCA do mês.

Inflação, pressionada por combustíveis, sobe além do previsto | O preço dos alimentos contribuiu para a alta do índice de inflação
O preço dos alimentos contribuiu para a alta do índice de inflação

A pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters apontou, nesta manhã, que a expectativa de analistas era de alta de 0,77% em março, acumulando em 12 meses alta de 4%. A inflação de março foi a mais alta desde fevereiro de 2025, quando havia subido 1,31%. Considerando apenas meses de março, a taxa foi a mais elevada desde 2022, quando foi de 1,62%.

No ano, o IPCA acumula avanço de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%. O percentual está acima dos 3,81% atingidos nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março do ano passado, o IPCA registrou 0,56%. Os dados do indicador foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Diesel

O aumento de 4,59% na gasolina foi o fator mais relevante para o desempenho dos preços dos transportes, o que provocou impacto de 0,23 p.p. na inflação do mês. A passagem aérea (6,08%) e o diesel (13,90%), também pesaram apesar de menor influência no índice geral.

As maiores altas em alimentação e bebidas, ficaram com os subitens Leite longa vida (11,74%) e Tomate (20,31%), que representam respectivamente impactos de 0,07 e 0,05 p.p. sobre o IPCA do mês. Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais do IPCA de março (0,88%).

Conforme o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços do IPCA apresentaram elevações em março. O mais significativo (1,64%) foi o de transportes, tendo na sequência o de alimentação e bebidas (1,56%). Os outros avanços “oscilaram entre 0,02%, em educação e 0,65%, em despesas pessoais”.

 

Aceleração

Para o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível verificar o efeito das incertezas no cenário internacional em alguns subitens, principalmente nos combustíveis.

— No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros — afirmou.

O IPCA aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos.

 

Impacto

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) alcançou 0,91% em março. Com isso, ficou 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%. O percentual ultrapassa os 3,36% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC chegou a 0,51%.  

O terceiro grupo com maior variação de preços em março foi o de despesas pessoais (0,65%), impactado pelo subitem cinema, teatro e concertos (3,95%). Já na alta de 0,42% no grupo saúde e cuidados pessoais (0,42%) houve influência da subida em plano de saúde (0,49%).

A elevação da energia elétrica residencial (0,13%) levou o grupo habitação, a registrar variação de 0,22% em março. Nela, estão embutidos os reajustes médios de 6,92% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (3,09%), a partir de 15 de março.

Edições digital e impressa