As chamas começaram na sexta-feira e permaneciam fora de controle, se espalhando em direção à Alemanha. Não há indicação de que o fogo cruzará a fronteira.
Por Redação, com DW -de Bruxelas
O histórico incêndio florestal que atinge o parque natural de Hautes Fagnes, no leste da Bélgica, já atingiu cerca de 3 mil hectares até este doming, tendo dobrado de tamanho nas últimas 24 horas. Este já é o maior incêndio na história do país, segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS). O recorde anterior era de 2011, quando o fogo consumiu quase 1,4 mil hectares.

As chamas começaram na sexta-feira e permaneciam fora de controle, se espalhando em direção à Alemanha. Não há indicação de que o fogo cruzará a fronteira, de acordo com autoridades, mas a poluição por fumaça poderia causar riscos à saúde. Os moradores da região foram aconselhados a deixarem as suas casas.
Centenas de bombeiros, agricultores, militares e equipes de emergência trabalham para conter o avanço do fogo na maior reserva natural da Bélgica, uma área de difícil acesso formada por charnecas, turfeiras e passarelas elevadas de madeira. As autoridades da região da Valônia informaram que o incêndio se espalhou rapidamente durante as noites entre sexta e domingo. Segundo Nicolas Yernaux, porta-voz regional, o controle das chamas depende amplamente de aparato aéreo.
Helicópteros
Diante do agravamento do incêndio, a Bélgica acionou o mecanismo europeu de proteção civil, que coordena a ajuda de emergência entre os países da União Europeia. A comissária europeia para Gestão de Crises, Hadja Lahbib, informou que três helicópteros e dois aviões de combate a incêndios foram mobilizados para apoiar as operações. As aeronaves foram enviadas pela Suécia, República Tcheca e Holanda.
O ministro da Defesa, Theo Francken, afirmou que três caminhões de bombeiros de última geração também foram deslocados para a região.
Evacuações
As autoridades provinciais de Liège ordenaram a retirada de moradores de áreas de dois municípios na tarde de sábado, devido à mudança dos ventos e à intensa fumaça. Turistas hospedados na região também foram orientados a deixar o local.
Na vila de Sourbrodt, com cerca de 500 habitantes, os moradores receberam orientação para se preparar para uma possível retirada caso a situação se agrave. Um acampamento de férias infantil localizado na área afetada estava sendo evacuado.
Em Eupen, cidade próxima ao incêndio, a fumaça era visível a quilômetros de distância, e o céu assumia uma coloração amarelada, segundo relato de um jornalista da agência francesa de notícias AFP, no local.
As autoridades municipais recomendaram que a população mantenha portas e janelas fechadas, prepare documentos e pertences essenciais e acompanhe os comunicados oficiais.
Alemanha
Os incêndios ocorrem em meio à quinta onda de calor do verão europeu. Na sexta-feira, as temperaturas alcançaram até 37°C em partes da Bélgica. Do outro lado da fronteira, na Alemanha, as autoridades informaram que um grande incêndio florestal na região de Hürtgenwald, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, foi colocado sob controle, na véspera.
Cerca de 1,4 mil bombeiros participaram da operação, que levou à retirada de mais de 2 mil moradores da vila de Gey na sexta-feira, quando as chamas chegaram a apenas 300 metros das primeiras casas.
Apesar da melhora, a ordem de evacuação continua em vigor. O incêndio, considerado o maior já registrado no estado alemão, teve o combate dificultado pelo risco de explosões causadas por munições remanescentes da Segunda Guerra Mundial ainda enterradas na área florestal.
Europa
Autoridades também registram grandes focos na França, Espanha, Reino Unido, Croácia, Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia. As altas temperaturas, a seca prolongada e os ventos fortes têm favorecido a rápida propagação das chamas, destruindo milhares de hectares de vegetação e forçando evacuações em várias regiões do continente.
No sudoeste da França, o incêndio mais recente já devastou cerca de 1.580 hectares e levou à retirada de 650 pessoas. Na Espanha, os incêndios consumiram pelo menos 15 mil hectares na região de Aragão e mais de 38 mil hectares na província de Huelva, com mais de mil moradores retirados. No Reino Unido, dezenas de focos atingiram áreas urbanas e rurais, destruindo edifícios e levando o governo a adotar medidas emergenciais.
Na Croácia, um dos piores incêndios da história do país deixou feridos e obrigou turistas a buscar abrigo. Já Montenegro, Sérvia, Albânia e Grécia também enfrentam múltiplos focos, mantendo equipes de emergência mobilizadas diante do risco elevado de novos incêndios.
Segundo cientistas, as mudanças climáticas causadas pela atividade humana aumentam a frequência e a intensidade de períodos de calor extremo e seca, condições que favorecem a propagação e a persistência de grandes incêndios florestais.