O chanceler alemão Friedrich Merz acusou o partido de extrema-direita AfD de defender uma “limpeza étnica” sob a política de “remigração” e de apoiar a Rússia contra os interesses nacionais.
Por Redação, com Reuters – de Berlim
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acusou nesta quarta-feira o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de apoiar a Rússia contra os interesses da Alemanha e de defender políticas anti-imigração que equivalem a uma “limpeza étnica”.

Merz discursava no Parlamento alemão após a dura derrota de seu partido para a AfD, que conquistou a vitória nas eleições no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, com uma plataforma que previa a restrição da imigração e a restauração das relações com Moscou.
Em um email enviado à Reuters, a AfD afirmou que Merz estava deliberadamente deturpando sua posição como forma de demonizar o partido, e afirmou que suas políticas são legais.
Merz está tentando recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo e seus índices de aprovação, que atingiram níveis historicamente baixos, colocaram em questão sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar.
– Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a ‘remigração’, se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele – disse Merz, em resposta a um discurso anterior da colíder da AfD, Alice Weidel.
Merz também criticou os apelos da AfD para que se encerrasse o apoio à Ucrânia, acusando o partido de estar “firmemente do lado da Rússia”, mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega.
Extremista
A AfD foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de “remigração” para acelerar as deportações de requerentes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de incentivar as pessoas a partirem voluntariamente.
O partido também quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.
– Por ‘remigração’, a AfD se refere à deportação consistente — de acordo com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso – disse o deputado da AfD Bernd Baumann em um email à agência inglesa de notícias Reuters.
– No entanto, atribuir à AfD a limpeza étnica como objetivo político é uma tentativa desesperada e sórdida de manter uma ‘barreira de proteção’ por meio de uma demonização inventada.
Merz disse que forçar os imigrantes a partir criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria sendo um tiro que sai pela culatra.
– Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado — esse seria o resultado da política de remigração deles – disse.