O exame foi realizado no âmbito de um inquérito do Ministério Público por suspeita de homicídio culposo, que analisa a conduta dos dois policiais.
Por Redação, com ANSA – de Roma
O corpo do marroquino Abderrahim Fakir, morto durante uma abordagem policial em Bolonha, na Itália, no último fim de semana, foi submetido a uma autópsia nesta sexta-feira.

O exame foi realizado no âmbito de um inquérito do Ministério Público por suspeita de homicídio culposo, que analisa a conduta dos dois policiais que seguraram o imigrante e de quatro paramédicos que participaram da ocorrência.
Fakir, que vivia na Itália desde a infância, morreu após ser imobilizado no chão com o rosto virado para baixo. Em um vídeo gravado por uma testemunha, é possível ouvi-lo gritando “ajuda” e “basta”, enquanto os agentes tentam contê-lo, prendendo suas mãos e pés, antes de desmaiar.
As forças de segurança haviam sido acionadas para intervir porque Fakir estaria em “crise psiquiátrica” e perturbando a ordem pública, segundo fontes que acompanham o caso. Ele teria ameaçado pessoas que estacionavam um carro em uma garagem.
Outros vídeos mostram que o marroquino estava em estado de agitação e confusão antes da chegada da polícia.
Fakir
De acordo com o jornal Il Messaggero, uma tomografia computadorizada dos ossos realizada na quinta-feira sugere que Fakir teria sofrido asfixia devido a danos em seu trato respiratório, mas a causa exata do óbito será determinada pelo resultado da autópsia.
A morte do imigrante gerou forte comoção e uma onda de protestos contra a polícia em Bolonha. O prefeito de centro-esquerda Matteo Lepore organizou uma manifestação na última segunda-feira para cobrar o esclarecimento do caso, ato que transcorreu de forma pacífica. No mesmo dia, no entanto, outros protestos na cidade se transformaram em tumultos, com mais de 60 policiais feridos.
O partido Irmãos da Itália (FdI), da primeira-ministra Giorgia Meloni, e a Liga, do vice-premiê Matteo Salvini, pediram a renúncia de Lepore, acusando-o de ter deslegitimado a polícia ao convocar a manifestação.
Enquanto isso, o advogado dos dois policiais envolvidos no caso, Gabriele Bordoni, assegurou que ambos tentaram “proteger” o imigrante de “eventos negativos”. Já a esposa de Fakir disse a uma TV marroquina que seu marido foi “executado”. “O que aconteceu não é certo, não é normal, ninguém o ajudou”, acrescentou.