A premiê já foi considerada a principal aliada do presidente dos EUA na Europa e chegou a ser definida por ele como uma “inspiração para todos”, mas, em abril passado, a relação entre eles desandou.
Por Redação, com ANSA – de Roma
A premiê da Itália, Giorgia Meloni, admitiu que acreditava que a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seria “mais fácil” devido à proximidade ideológica entre os dois.

A declaração foi dada em uma rara entrevista exclusiva da primeira-ministra, concedida ao jornal norte-americano The New York Times, na esteira das tensões com o republicano por conta de ataques ao papa Leão XIV e da guerra no Irã.
– É evidente que eu pensei que as coisas seriam mais fáceis com Donald Trump, dada a nossa convergência em relação à imigração e à cultura woke. As coisas acabaram sendo diferentes – disse Meloni ao NYT.
A premiê já foi considerada a principal aliada do presidente dos EUA na Europa e chegou a ser definida por ele como uma “inspiração para todos”, mas, em abril passado, a relação entre eles desandou após o governo italiano negar o uso de uma base americana na Sicília para operações militares contra o Irã. Além disso, Trump se irritou depois de Meloni defender o papa Leão XIV das críticas feitas por ele.
Na ocasião, a primeira-ministra chamou os ataques ao pontífice de “inaceitáveis”, enquanto o republicano respondeu que a líder italiana não tinha “coragem”.
G7
Em junho, os dois se encontraram na cúpula do G7 na França, quando a premiê disse que, apesar das recentes tensões, a relação com Trump permanecia “inalterada” e que um havia “compreendido o ponto de vista” do outro. No entanto, logo em seguida, o presidente acusou a primeira-ministra de ter “implorado” para tirar uma foto na reunião do G7 e que ele aceitou somente por “pena”.
Meloni reagiu e afirmou que as declarações do presidente norte-americano eram “totalmente inventadas”. Na entrevista ao New York Times, a premiê confirmou que não fala com Trump há várias semanas e foi evasiva ao ser questionada se vai conversar com ele após as férias de verão na Europa.
– Bom, vamos ver. Continuo acreditando que a união do Ocidente seja muito importante e não decido a estratégia italiana com base nas minhas relações pessoais – salientou.