A declaração chega após o cardeal italiano Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, ter sido proibido pela polícia de Israel de realizar a missa do Domingo de Ramos.
Por Redação, com ANSA – de Jerusalém
O Patriarcado Latino de Jerusalém, representação da Igreja Católica na Terra Santa, confirmou nesta segunda-feira que as questões relativas às celebrações na Igreja do Santo Sepulcro, um dos locais mais sagrados do cristianismo, foram resolvidas.

A declaração chega após o cardeal italiano Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, ter sido proibido pela polícia de Israel de realizar a missa do Domingo de Ramos no lugar onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi crucificado e sepultado.
“O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa confirmam que as questões relativas às celebrações da Semana Santa e da Páscoa no Santo Sepulcro foram tratadas e resolvidas em coordenação com as autoridades competentes”, diz um comunicado divulgado pela arquidiocese.
“Em acordo com a polícia israelense, foi garantido o acesso aos representantes das Igrejas a fim de celebrar as liturgias e as cerimônias e preservar as antigas tradições”, acrescenta a nota, que agradece ao presidente israelense, Isaac Herzog.
– Proteger a liberdade de culto permanece um dever fundamental e compartilhado – conclui o patriarcado.
Já Herzog assegurou que Israel está empenhado com a “liberdade de culto de todas as pessoas de fé” e com a “importância de preservar o status quo nos lugares sagrados de Jerusalém”. “Em nome do Estado de Israel, estendo minhas mais calorosas saudações de Páscoa ao patriarca latino, aos nossos irmãos e irmãs cristãos na Terra Santa e aos nossos amigos cristãos no Oriente Médio e em todo o mundo”, disse.
Ataques
Israel havia alegado razões de segurança para impedir que Pizzaballa rezasse a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, citando o risco de possíveis ataques do Irã contra Jerusalém.
A decisão, no entanto, provocou críticas em diversos países do mundo, como Brasil, Espanha e França. Na Itália, o governo da premiê Giorgia Meloni convocou o embaixador de Israel em Roma, Jonathan Peled, para prestar esclarecimentos sobre o caso, enquanto a União Europeia denunciou uma “violação da liberdade religiosa”.
– Acho que poderíamos ter administrado essa questão muito melhor, da nossa parte, da parte do patriarca, da parte do governo da Itália – afirmou Peled nesta segunda-feira, ao canal italiano Sky TG24.
– Em geral, a parte sagrada de Jerusalém está fechada para judeus, muçulmanos e cristãos porque houve ataques com mísseis. Mas chegamos a um acordo para que o patriarca e a comunidade cristã celebrem a Santa Páscoa de forma limitada e segura – salientou o diplomata.