Dados acabam de ser divulgados pela Adapta, maior ecossistema de IA generativa do país, que investigou a relação dos profissionais com tais tecnologias em 2025.
Por Redação – do Rio de Janeiro
Com a IA já incorporada ao cotidiano das empresas, muitos profissionais começam a direcionar seus esforços para competências cada vez mais estratégicas.
A constatação é de um estudo da Adapta, maior ecossistema de IA generativa do país: entre as habilidades que estarão no radar dos brasileiros em 2026, destacam-se a análise de dados com IA (44,6%), a engenharia de prompt (43%) e a visão estratégica para orientar equipes no uso de IA (41,6%), além do domínio de ferramentas que complementem esse repertório técnico (52%).

O interesse, vale dizer, vem em um contexto promissor para quem investe em tais competências: segundo dados da Lightcast divulgados pela Fast Company, vagas que exigem ao menos uma habilidade em IA pagam, em média, 28% a mais do que as demais, enquanto profissões que reúnem duas competências chegam a oferecer até 43% de aumento salarial. O recado é claro: entender o básico sobre inteligência artificial já é uma vantagem competitiva… e quanto mais profundo o domínio, maior o retorno.
Por isso, quando o tema é capacitação em 2026, o desejo dos profissionais aponta para uma mudança clara de abordagem: 53,8% querem treinamentos práticos, que os ajudem a aplicar IA diretamente em seus fluxos reais de trabalho. “A busca por formações mais ‘mão na massa’ reflete a percepção de que conteúdos excessivamente teóricos já não acompanham a velocidade das transformações no ambiente corporativo — e, mais do que isso, não preparam os times para lidar com agentes, automações e ferramentas que exigem experimentação contínua”, explica Eduardo Coelho, Head de Marketing da Adapta.
Mapeando o uso de IA nas empresas em 2025
O estudo da Adapta também buscou entender como os profissionais avaliam o próprio domínio de IA em 2025 — e os dados mostram um cenário interessante. Embora 16,6% deles tenham declarado usar pouco a tecnologia, a maior parte disse utilizar a IA de maneira prática no dia a dia. Quase metade (49%) afirmou usar ferramentas prontas na empresa, enquanto 34,4% já aplicam IA de forma estratégica, desenvolvem soluções próprias ou criam novos fluxos de trabalho com apoio dessas tecnologias.
Quando o recorte se volta especificamente para os agentes de IA, o grau de maturidade também chama atenção: apenas 7,4% dos entrevistados disseram não utilizar agentes no trabalho. A maioria, por sua vez, opera em níveis intermediários ou avançados: 34,6% configuram agentes para tarefas específicas da área e 28,4% já combinam diferentes agentes ou os desenvolvem nas empresas — percentual que reforça a ascensão de profissionais mais autônomos e tecnicamente preparados.
A percepção sobre a liderança segue a mesma tendência. Para 71,6% dos respondentes, seus gestores diretos possuem conhecimento intermediário ou avançado em IA, integrando diferentes tecnologias nas rotinas e tomando decisões com apoio de modelos generativos. O dado indica que, além da adoção individual, o uso da inteligência artificial começa a se consolidar também na camada estratégica das organizações, impulsionando mudanças estruturais na forma de liderar e operar.
Dos treinamentos aos workshops
Se por um lado cresce o uso de IA e agentes no ambiente de trabalho, por outro, as empresas começam a acompanhar esse movimento com iniciativas de formação mais estruturadas… embora os conteúdos nem sempre sejam suficientes para o trabalho dos equipes.
Em 2025, 37,2% dos profissionais relataram ter recebido capacitações frequentes para atualização em IA, indicando que o tema já entrou na agenda de desenvolvimento das organizações. Outros 34,2% tiveram acesso a cursos introdutórios, enquanto 33,6% receberam materiais de apoio, como trilhas, tutoriais e vídeos internos.
Apesar dos avanços, a percepção sobre a qualidade das capacitações ainda revela pontos de atenção. O maior problema apontado pelos profissionais (27,6%) foi o excesso de teoria, com treinamentos pouco aplicáveis ao trabalho real — justamente o tipo de abordagem que dificulta a evolução no uso de agentes e ferramentas mais avançadas. Além disso, 23,4% afirmaram que o conteúdo ao longo do ano permaneceu superficial, limitado a materiais que não acompanharam a velocidade das mudanças tecnológicas.
Diante de limitações como essas, não surpreende que o principal desejo dos profissionais para 2026 seja a oferta de mais treinamentos dentro das empresas (53,8%), com aplicações práticas e “mão na massa” no próximo ano. “Em um cenário no qual o básico parece já estar sendo feito, as empresas precisarão investir em experiências hands-on daqui para frente, capazes de acelerar a autonomia e a experimentação dentro das equipes”, comenta o Head de Marketing da Adapta.
Afinal, quais habilidades em IA os brasileiros querem aperfeiçoar em 2026?
Quando o assunto é desenvolvimento profissional, os entrevistados já têm clareza sobre quais competências desejarão aprender ou aprimorar no próximo ano. Entre as habilidades mais citadas aparecem, por exemplo, a análise de dados com IA (44,6%), capaz de gerar insights estratégicos a partir de grandes volumes de informações, e a engenharia de prompt (43%), vista como essencial para criar instruções mais precisas e extrair resultados de maior qualidade das ferramentas.
Também ganha destaque, para muitos deles, a visão estratégica aplicada à IA (41,6%), habilidade que permitirá aos profissionais orientar equipes, integrar tecnologias ao dia a dia e tomar decisões mais embasadas. “Isso reforça como, em 2026, dominar IA não será apenas saber operar ferramentas, mas compreender como elas se conectam aos objetivos e resultados do negócio”, destaca Eduardo.
Metodologia
Para compreender as experiências dos profissionais com capacitações em IA, nas últimas semanas foram entrevistados 500 brasileiros adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade é de 95%, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
Os respondentes tiveram acesso a oito questões que exploravam seus conhecimentos sobre Inteligência Artificial, o impacto dessas ferramentas e agentes no dia a dia corporativo e as expectativas para cursos e treinamentos em 2026. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings.