Num reversão de política de abandono de reatores, Bruxelas quer interromper desmantelamento de infraestruturas nucleares e prepara aquisição de reatores de empresa francesa.
Por Redação, com DW – de Bruxelas
A Bélgica anunciou nesta quinta-feira que pretende adquirir o controle dos reatores nucleares da empresa francesa Engie que estão baseados em território belga. A iniciativa faz parte de um esforço para ampliar o uso desse tipo de energia, marcando mais uma reversão na política de abandono da energia nuclear no país que imperou até 2022.

– Um acordo foi alcançado com a Engie para definir as condições e iniciar os estudos necessários para a aquisição completa do parque nuclear belga – afirmou o primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, em postagem nas redes sociais.
– Até lá, todas as atividades de desmantelamento estão suspensas com efeito imediato – escreveu De Wever, apontando que antigas usinas já desativadas não serão mais desmanteladas.
Ele prometeu ainda aumentar o uso de energia nuclear na Bélgica, após o governo anterior ter recuado dos planos de abandonar essa fonte energética. Em dezembro de 2021, o governo belga chegou a anunciar que pretendia desativar todas as usinas nucleares no país ao longo de três anos.
– Este governo está optando por uma energia segura, acessível e sustentável, com menos dependência das importações de combustíveis fósseis e mais controle sobre nosso próprio fornecimento – escreveu.
Segundo uma nota divulgada por Bruxelas, o acordo abrange a potencial aquisição de “toda a frota nuclear de sete reatores, os funcionários associados, todas as subsidiárias nucleares, bem como todos os ativos e passivos relacionados, incluindo as obrigações de descomissionamento e desmantelamento”.
Guinada
Em 2003, a Bélgica decidiu eliminar gradualmente a produção de energia nuclear até 2025, mas debates políticos e preocupações com a segurança energética a partir de 2022 levaram ao adiamento dessa iniciativa.
No ano passado, o Parlamento belga votou por ampla maioria para barrar os planos de eliminação gradual da energia nuclear. O governo de De Wever também pretende construir novas usinas nucleares.
A Europa voltou suas atenções para a energia nuclear, à medida que os conflitos no Oriente Médio fizeram os preços do petróleo e do gás natural dispararem.
A crise energética associada às tensões envolvendo o Irã é apontada como mais um fator que levou os países europeus a repensarem suas matrizes energéticas, após a invasão da Ucrânia pela Rússia e o corte do envio de gás natural russo para o continente europeu.
A Engie operava sete reatores na Bélgica por meio de suas subsidiárias em Tihange e Doel. No entanto, apenas dois desses reatores tiveram suas licenças de operação prorrogadas para além de 2025, por um período de dez anos, conforme um acordo firmado em 2023 pelo governo anterior em Bruxelas.
O destino das instalações antigas tem sido debatido há décadas. O país é altamente dependente da importação de gás natural para suprir suas necessidades de gerar eletricidade e enfrenta dificuldades para expandir de forma significativa a geração de energia renovável.