A participação de Galípolo na CPI foi aprovada com o objetivo de esclarecer fatos relacionados ao Master, que foi liquidado pela autoridade monetária.
Por Redação – de Brasília
Presidente do Banco Central (BC), o economista Gabriel Galípolo afirmou nesta quarta-feira, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre crime organizado, que teve total autonomia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para lidar com a questão do Banco Master de forma técnica. Segundo o executivo, não há indício de culpa do ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto em eventuais problemas relacionados ao banco do ex-empresário Daniel Vorcaro.

— Não há em nenhum processo de auditoria ou de sindicância nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos — isentou Galípolo, na audiência.
A participação de Galípolo na CPI foi aprovada com o objetivo de esclarecer fatos relacionados ao Master, que foi liquidado pela autoridade monetária. De acordo com o economista, em encontro do qual participou com a presença de Daniel Vorcaro em 2024, Lula disse ao banqueiro que Master seria tratado de forma técnica pelo BC.
— (Lula disse) ‘seja o mais técnico possível, você tem toda autonomia nesse processo para você perseguir seja quem for e investigar seja quem for… Faça o trabalho técnico, você tem toda autonomia, não importa quem seja’ — acrescentou Galípolo.
Tamanho
O presidente do BC afirmou que no encontro Vorcaro argumentou que o Master estava com dificuldade de captação no mercado por ser perseguido por instituições que viam o banco em crescimento como concorrente, tese que o presidente do BC refutou com argumento de que o Master “não tinha tamanho para isso”.
Galípolo afirmou que não tratou posteriormente sobre o tema do Master com membros do governo. A liquidação extrajudicial do banco foi decretada pelo BC no ano passado, e o ex-CEO Vorcaro, preso após operações da PF que investigam suspeita de fraudes bilionárias e suposto comprometimento das apurações das autoridades.
O presidente do BC acrescentou que participou de conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apenas sobre possíveis efeitos da Lei Magnitsky dos Estados Unidos, que chegou a impor sanções contra o ministro da Corte Alexandre de Moraes. Segundo ele, o tema do Master não foi tratado nessas conversas, que aconteceram de forma presencial.
Ausente
O ex-presidente do BC Roberto Campos Neto não compareceu à reunião da CPI do Crime Organizado. Convocado na condição de testemunha qualificada, por seu conhecimento técnico, Neto faltou ao depoimento nesta quarta-feira após seus advogados comunicarem ao colegiado que a obrigatoriedade de sua presença violaria decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esta é a terceira tentativa frustrada da comissão de ouvir o economista, que presidiu o BC entre 2019 e 2024. Segundo o presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), Neto foi, inicialmente convidado, depois, convocado, por ter condições de contribuir, de forma relevante, para os trabalhos da CPI, criada para apurar a atuação, expansão e o funcionamento de facções criminosas no Brasil.