Criminosos retiram a peça eletrônica em segundos e motocicletas ficam inutilizadas;; Rio busca cooperação com autoridades paulistas para combater o crime.
Por Redação, com Agenda do Poder – São Paulo
Em poucos segundos, criminosos conseguem retirar o módulo eletrônico de motocicletas estacionadas em ruas de São Paulo, deixando trabalhadores impossibilitados de ligar o veículo e, consequentemente, de exercer suas atividades. O crime tem atingido principalmente entregadores e profissionais que dependem da moto para garantir a renda diária.

A modalidade de crime já chegou também ao Rio de Janeiro causando preocupação às autoridades policiais.
Imagens e relatos mostram que a ação costuma ser rápida e silenciosa. Duplas circulam pela cidade em motocicletas, escolhem um alvo e param ao lado do veículo estacionado. Ao perceber que não há testemunhas por perto, levantam o banco e removem a peça eletrônica rapidamente.
Sem o módulo, a motocicleta simplesmente não funciona. A peça é responsável por controlar o funcionamento do motor e de diversos sistemas do veículo.
Motocicleta
Especialistas explicam que o módulo eletrônico é essencial para o funcionamento da moto. Sem ele, o sistema de ignição não é acionado e o veículo não liga.
– O módulo é o cérebro da motocicleta. Ele gerencia todo o funcionamento do motor. Sem essa peça, é como tentar ligar a moto sem a chave – explica o mecânico Alexandre Sauro.
Para quem trabalha diariamente com motocicleta, a situação tem se tornado cada vez mais comum. Motociclistas relatam que frequentemente encontram veículos sem a peça após poucos minutos estacionados.
– Direto acontece. O cara tenta ligar a moto e descobre que o módulo sumiu – relata o motociclista Carlos Barros.
Subnotificação
Apesar do aumento das ocorrências, ainda não há números oficiais consolidados sobre quantos módulos são furtados diariamente em São Paulo. Segundo autoridades de segurança, muitas vítimas deixam de registrar boletim de ocorrência, o que dificulta medir a dimensão real do problema.
Mesmo assim, empresas que operam sistemas de monitoramento por câmeras apontam que pelo menos três casos são registrados por dia na cidade.
Os relatos de trabalhadores ajudam a dimensionar a frequência do crime. O entregador Bruno Henrique conta que já foi vítima duas vezes, enquanto o irmão também perdeu o equipamento em outro episódio.
Além da interrupção imediata do trabalho, o prejuízo financeiro pode ser alto. Representantes do setor afirmam que um módulo eletrônico novo pode custar entre R$ 1,2 mil e R$ 7 mil, podendo chegar a cerca de R$ 8 mil dependendo da marca e da cilindrada da motocicleta.
Revenda irregular
O método utilizado pelos criminosos é relativamente simples. Eles quebram a trava plástica do banco, acessam o chicote elétrico e desconectam o módulo em poucos segundos.
– Sai facilmente. Para quem já conhece o procedimento, não tem dificuldade – afirma o mecânico Alexandre Sauro.
Quando o proprietário retorna ao veículo, percebe imediatamente o problema: a motocicleta não liga e o dia de trabalho é interrompido.
Diante do risco constante, alguns motociclistas passaram a improvisar soluções de segurança. Há quem esconda o módulo em outras partes da moto ou instale protetores metálicos com parafusos especiais para dificultar o acesso.
Delegados que investigam o crime explicam que, em motos de média e alta cilindrada, o módulo eletrônico costuma ter identificação que pode ser lida por scanners, permitindo rastrear sua origem.
No entanto, nos modelos de baixa cilindrada — os mais usados por entregadores — esse tipo de vinculação digital nem sempre existe, o que facilita a revenda ilegal da peça.
Sem condições de pagar por um módulo novo na concessionária, parte das vítimas acaba recorrendo ao mercado paralelo, o que contribui para manter o ciclo do crime.
– A pessoa prefere procurar uma loja ou e-commerce clandestino porque é mais barato do que comprar a peça original – afirma o delegado Arnaldo Rocha Júnior, da Polícia Civil de São Paulo.
Alguns motociclistas reconhecem o dilema. “Você encontra por R$ 250 ou R$ 300, mas pode estar comprando exatamente o módulo que foi roubado de alguém”, admite o motociclista Marcos Cardoso.
Polícia do Rio
O furto de módulos de motocicletas já começa a chamar a atenção de autoridades de segurança de outros estados. No Rio de Janeiro, a polícia também tem registrado ocorrências semelhantes e manifestado preocupação com o avanço desse tipo de crime.
Segundo investigadores, equipes da polícia fluminense têm buscado troca de informações com a Polícia Civil de São Paulo para entender o funcionamento das quadrilhas e aprimorar estratégias de combate à prática.
A cooperação entre os estados pretende identificar rotas de revenda ilegal, desarticular redes de comércio clandestino e evitar que o crime se espalhe ainda mais entre grandes centros urbanos, afetando principalmente trabalhadores que dependem da motocicleta para sobreviver.