Conforme a plataforma de criptoativos, os participantes podem receber ‘tokens’ — que prometem retorno financeiro por meio de valorização no mercado — desde que “compartilhem o projeto – faça uma publicação em rede social mostrando que você participa da comunidade B22”.
Por Redação – de São Paulo
Um site de venda de criptomoedas lançou um esquema que distribui ‘tokens’ digitais para usuários que compartilhem a mensagem “B22” e conteúdos em vídeo que incentivam o voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho ’01’ de Jair Bolsonaro, apurou o diário conservador paulistano ‘Folha de São Paulo’. O site apontado tem sido amplamente divulgado em um perfil do Instagram que conta com 12,9 milhões de seguidores — a conta hyperskidsafrica, dedicada a arrecadar recursos para construir moradias para crianças em Kampala, Uganda.

Em um dos vídeos veiculados, crianças ugandenses aparecem dançando com camisetas amarelas estampadas com a marca “B22 token” e cantando “vota, vota e confirma: 22 é Bolsonaro”. A publicação já ultrapassou a marca de 1,2 milhão de visualizações. De acordo com a página oficial do projeto, uma parcela das vendas da criptomoeda “B22” será destinada ao financiamento das ações sociais no país africano.
Esquema
No material gravado, as crianças pedem apoio direto aos eleitores: “Por favor, confiem em Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal”, declaram. E acrescentam: “O propósito do novo token é ajudar o Brasil. Dê uma chance, vote diferente”.
Conforme a plataforma de criptoativos, os participantes podem receber ‘tokens’ — que prometem retorno financeiro por meio de valorização no mercado — desde que “compartilhem o projeto – faça uma publicação em rede social mostrando que você participa da comunidade B22”.
Segundo o advogado eleitoral Hélio Silveira, que comandou a equipe jurídica da campanha de Tabata Amaral (PSB) à Prefeitura de São Paulo em 2024, a manobra adota o mesmo ‘modus operandi’ dos campeonatos de cortes de vídeos promovidos por Pablo Marçal.
— Trata-se da mesma lógica e estrutura do que Marçal fazia. Oferece incentivos financeiros para as pessoas divulgarem a campanha e o candidato — observa Silveira.
Recompensas
O especialista aponta, ainda, que a operação pode configurar doação empresarial proibida: “potencialmente trata-se de uma doação de uma pessoa jurídica, a empresa de criptomoedas, à campanha de Flávio Bolsonaro, ao usar sua estrutura e incentivos financeiros para fazer propaganda do voto no 22, número do senador na disputa à Presidência da República”.
Marçal, nas eleições de 2024, teve sua inelegibilidade por oito anos confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em dezembro de 2025, justamente por abuso de poder econômico na realização do concurso de cortes sob a marca #prefeitomarçal. Na ocasião, a Justiça Eleitoral entendeu que a concessão de recompensas financeiras para engajar a divulgação de propaganda eleitoral na internet violou frontalmente a legislação vigente.