Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2025

Ferroviários protestam contra privatização da CPTM

Trabalhadores da CPTM realizam protesto contra privatização das linhas e anunciam greve. Entenda os impactos e a mobilização.

Terça, 25 de Março de 2025 às 14:04, por: CdB

A mobilização foi um esquenta para a paralisação dos trabalhadores que começa à meia noite desta quarta-feira nas linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

Por Redação, com Brasil de Fato – de São Paulo

Os trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e apoiadores protestaram na manhã desta terça-feira em frente à B3, a Bolsa de Valores do Brasil, no centro de São Paulo, contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. 

Ferroviários protestam contra privatização da CPTM | Protesto ocorreu em frente à Bolsa de Valores
Protesto ocorreu em frente à Bolsa de Valores

O cronograma prevê a entrega dos envelopes com as propostas das empresas concorrentes, nesta terça, e a abertura dos documentos e o anúncio da empresa vencedora, na próxima sexta-feira. Vence aquela que apresentar o maior deságio, ou seja, a diferença entre os valores de mercado e aquele pelo qual o bem é arrematado.

A mobilização foi um esquenta para a paralisação dos trabalhadores que começa à meia noite desta quarta-feira nas linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Até o momento, o movimento dos trabalhadores não informou um horário para a greve acabar e afirmou ainda que não aceitará demissões. Em caso de desligamentos, a paralisação continuará. 

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Segundo Fernando Ricardo Santos das Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, o protesto foi convocado para “demonstrar indignação dos trabalhadores com o poder público”. “O governo do estado prefere enfiar mais dinheiro na mão da iniciativa privada, por exemplo, do que investir em uma empresa pública”, disse Costa ao Brasil de Fato. 

– Hoje a CPTM, por exemplo, tem um intervalo médio de cinco minutos e meio entre um trem e outro, no horário de pico, sentido Calmon Viana ou Itaquaquecetuba. Quem vai para lá espera só cinco minutos e meio. Há 20 anos, eram 20 minutos de intervalo. Isso significa que com investimento, a empresa pública conseguiu evoluir melhorando o serviço – afirma o militante. 

Em comparação com as linhas privatizadas, Costa afirma que nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, já privatizadas e operadas pela empresa ViaMobilidade, o tempo médio de espera é de 15 minutos. “Ou seja, a iniciativa privada assumiu uma linha que estava operando 6 minutos de intervalo e ela não conseguiu atender essa demanda”, disse.

– Eles estão assumindo para ganhar dinheiro, única e exclusivamente, fazer lucro, e não para investir e melhorar o serviço. Então os ferroviários ainda da CPTM são contra a privatização da empresa porque o serviço não vai melhorar. Ninguém está discutindo se é porque está dando dinheiro ou não. É porque não melhora – concluiu o dirigente. 

Além de representantes de trabalhadores da CPTM, estiveram presentes metroviários em apoio à manifestação. Narciso Soares, vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, classificou a privatização das linhas da CPTM como um “ataque do Tarcísio que pode afetar muito a população e trazer dinheiro para os grandes milionários deste país”, disse. 

Sucatear para privatizar

– Inclusive, as estatais estão sendo pioradas para privatizar mais. Essa política, infelizmente também com o apoio do Lula pelo BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], está financiando essas privatizações e está atacando a população. Então, todo o apoio à luta dos companheiros ferroviários. Vamos conversar com a população que tem que apoiar essa luta, porque essa luta é de toda a população contra esse desmonte, é da classe trabalhadora, contra esse trânsito milionário e quem governa para ela – afirmou Soares.

No ano passado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), privatizou a construção do Trem Intercidades Eixo Norte (TIC), ligando São Paulo a Campinas, e a Linha 7-Rubi da CPTM. O governo paulista entrará no projeto do TIC com aporte de cerca de R$ 9 bilhões, dos quais R$ 6,4 bilhões serão financiados pelo BNDES. Isso porque o governo federal incluiu a obra no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Toninho Vespoli, vereador em São Paulo pelo Psol, também esteve presente na manifestação em apoio aos trabalhadores da CPTM. “Observamos que a privatização das linhas férreas, tanto de trem quanto de metrô, trouxe diversos problemas. O trabalhador sempre chega atrasado, e, além disso, há uma sobrecarga na linha amarela, que constantemente recebe aporte financeiro, dinheiro proveniente dos impostos”, afirmou ao Brasil de Fato. 

– Infelizmente, na Câmara, nosso poder de atuação é limitado. O que temos feito são ações judiciais, como as que movemos contra a Linha Esmeralda e a Linha Amarela, que estão superlotadas e apresentando falhas, como descarrilamentos. Esse governador deveria se preocupar em oferecer um bom serviço aos usuários, mas não é isso que acontece. Se fosse um governo sério, já teria rompido esses contratos – disse.

A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já privatizou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), pretende agora efetivar uma concessão de 25 anos das linhas da CPTM para a iniciativa privada, com previsão de investimentos de R$ 14,3 bilhões. A decisão dos trabalhadores é de manter a greve até que haja uma garantia por escrito do governador Tarcísio de cancelamento do leilão.

As linhas que a gestão Tarcísio pretende privatizar conectam o centro de São Paulo com a Zona Leste e cidades da região metropolitana, entre as quais Mogi das Cruzes, Suzano e Guarulhos. Cerca de 4,6 milhões de pessoas vivem nos territórios atendidos por estas linhas. De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), três grupos demonstraram interesse no empreendimento.

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