Ação coordenada pela Polícia Civil de Roraima busca desarticular estrutura financeira e logística de uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Uma ampla ofensiva das forças de segurança foi deflagrada nesta terça-feira contra a facção venezuelana Tren de Aragua, considerada uma das organizações criminosas mais estruturadas e violentas da América Latina. Batizada de Operação Rota do Norte, a ação é coordenada pela Polícia Civil de Roraima e tem como principal objetivo desmontar os núcleos operacional e financeiro da organização, que, segundo as investigações, atua em atividades como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armamentos de guerra.

A operação ocorre simultaneamente em seis Estados brasileiros — Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná — e mobiliza dezenas de agentes para o cumprimento de mandados judiciais contra suspeitos de integrar ou colaborar com a facção.
Ao todo, estão sendo executados 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário após representação dos investigadores responsáveis pelo caso.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco) e conta com o apoio de órgãos nacionais especializados no combate ao crime organizado.
Estrutura
As investigações revelaram uma rede criminosa considerada complexa e altamente organizada, com atuação que ultrapassa fronteiras estaduais e nacionais.
De acordo com a Polícia Civil, a facção mantinha uma estrutura voltada para a movimentação de recursos ilícitos, aquisição de armamentos e distribuição de drogas, além de operar mecanismos destinados à ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Os investigadores apontam que o grupo utilizava diferentes estados brasileiros como pontos estratégicos para logística, armazenamento de armas e circulação de recursos financeiros oriundos de atividades ilegais.
A operação busca justamente interromper essas conexões e enfraquecer a capacidade de atuação da organização em diversas regiões do país.
Armamento
Um dos principais focos da investigação está relacionado ao tráfico de armas de alto poder destrutivo.
Segundo a polícia, integrantes ligados ao núcleo da Tren de Aragua atuavam no fornecimento de armamentos para organizações criminosas brasileiras, especialmente para o Comando Vermelho (CV), facção com forte presença no Rio de Janeiro e em estados da Região Norte.
As apurações indicam que a organização venezuelana exercia papel estratégico na obtenção e distribuição de armas destinadas a grupos criminosos envolvidos em disputas territoriais e atividades relacionadas ao narcotráfico.
Entre os equipamentos identificados pelos investigadores estão fuzis de diversos modelos, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, armamentos frequentemente associados a confrontos armados entre facções e operações contra forças de segurança.
O volume e o tipo de material investigado reforçam a preocupação das autoridades com a capacidade operacional da organização e sua influência no fortalecimento de grupos criminosos em território brasileiro.
A Operação Rota do Norte conta com apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A participação conjunta de diferentes instituições é considerada fundamental diante do caráter interestadual e transnacional da investigação.
Nos últimos anos, as forças de segurança brasileiras têm ampliado o intercâmbio de informações e a atuação integrada para enfrentar organizações criminosas que operam em diversos estados e mantêm conexões internacionais.
A cooperação entre polícias civis, órgãos de inteligência e instituições federais tem sido apontada como uma das principais estratégias para identificar rotas de tráfico, estruturas financeiras clandestinas e redes de apoio utilizadas por grupos criminosos.
Além de prender suspeitos e apreender documentos, equipamentos e possíveis ativos financeiros, a operação pretende atingir diretamente a estrutura econômica da Tren de Aragua.
A avaliação das autoridades é que o combate ao crime organizado exige não apenas a retirada de integrantes das ruas, mas também a interrupção dos mecanismos que garantem recursos para financiar atividades ilícitas.
Nesse contexto, os investigadores buscam interromper fluxos relacionados ao tráfico de drogas, à circulação ilegal de armamentos e aos esquemas de lavagem de dinheiro que sustentariam a atuação da facção.
Outro objetivo estratégico é impedir o avanço da organização em Estados brasileiros onde ela tenta ampliar sua presença, especialmente em regiões de fronteira e corredores utilizados pelo tráfico internacional.