Especialista aponta influência do clima e prefeitura orienta medidas de prevenção.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Moradores do bairro relatam aumento incomum de pernilongos nos últimos meses, enquanto especialistas apontam que as condições climáticas favorecem a proliferação dos insetos mesmo durante o inverno.

Quem vive em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, está enfrentando um problema incomum para esta época do ano. Em pleno inverno, moradores de diferentes regiões do bairro afirmam que a quantidade de mosquitos aumentou significativamente nos últimos dois meses, comprometendo o sono e alterando a rotina dentro de casa.
Os relatos vêm de diversos endereços, como as ruas Dias da Rocha, Constante Ramos, Miguel Lemos e do Bairro Peixoto. Segundo os moradores, os insetos costumam aparecer no fim da tarde e permanecem durante toda a noite, formando verdadeiras nuvens e tornando difícil descansar.
Moradores
Moradora da Rua Dias da Rocha há mais de 40 anos, Daniela Ribeiro afirma que jamais havia presenciado uma infestação semelhante durante o inverno. Segundo ela, o problema começou a se intensificar após a pandemia, mas atingiu um novo patamar neste ano.
Além da presença nas ruas, Daniela conta que os pernilongos também invadiram as áreas internas dos prédios, inclusive elevadores e apartamentos em andares altos, tornando o incômodo constante.
Na Rua Constante Ramos, a advogada Fernanda Oliveira relata que os repelentes elétricos deixaram de ser suficientes para controlar os insetos. Ela afirma que acorda diversas vezes durante a madrugada para tentar eliminar os mosquitos e que seus pais, moradores do Bairro Peixoto, passaram a dormir com o ar-condicionado ligado mesmo nos dias mais frios para evitar as picadas.
Estratégias
A rotina dos moradores precisou mudar diante da intensidade do problema. Eduarda Vétere, que mora em Copacabana há cerca de 30 anos, conta que passou a manter uma raquete elétrica ao lado da cama para combater os insetos durante a noite.
Segundo ela, o filho de cinco anos acorda frequentemente incomodado pelas picadas e pelo zumbido dos mosquitos, situação que também vem sendo relatada por vizinhos.
Já Carlos dos Santos, morador da Rua Miguel Lemos, afirma que comprou protetores auriculares para conseguir dormir. Além de permanecer totalmente coberto para evitar as picadas, ele diz que o barulho provocado pelos insetos durante toda a madrugada tornou-se um grande transtorno.
Pernilongos
De acordo com o entomólogo Arlindo Serpa Filho, do Centro de Educação Ambiental SOS Vida Silvestre e do Instituto Oswaldo Cruz, uma das principais hipóteses para o aumento da população de mosquitos é a proliferação do gênero Culex, especialmente o Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente como pernilongo.
Ao contrário do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, os mosquitos do gênero Culex apresentam maior atividade justamente no período da noite, coincidindo com os horários apontados pelos moradores.
Segundo o especialista, mesmo durante o inverno, o Rio de Janeiro continua registrando temperaturas frequentemente acima dos 20 graus, além de chuvas irregulares, elevada umidade e diversos locais propícios para reprodução dos insetos. Esse conjunto de fatores permite que as populações permaneçam elevadas durante praticamente todo o ano.
Arlindo destaca que, apesar do desconforto causado pela infestação, não há indícios de risco sanitário relacionado à transmissão de doenças neste momento. Ainda assim, ele defende o reforço do monitoramento ambiental para identificar as espécies predominantes e reduzir os focos de proliferação.
Prevenção
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que mantém ações permanentes de combate aos vetores de doenças em todas as regiões da cidade. Até o fim de junho, quase 5,9 milhões de imóveis haviam sido vistoriados, com mais de 815 mil possíveis criadouros tratados ou eliminados.
A prefeitura esclarece que os principais registros na Zona Sul envolvem pernilongos, insetos que se reproduzem em água com matéria orgânica e que não são considerados transmissores de doenças no município.
Entre as recomendações estão eliminar recipientes que acumulem água, manter calhas, ralos e fossas limpos, além de utilizar telas de proteção, mosquiteiros e repelentes para reduzir o contato com os insetos.