Ao longo de sua carreira política, ele chefiou quatro pastas do governo federal. Na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Por Redação, com agências de notícias – de Brasília
O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu no domingo, aos 73 anos, em Brasília, de um câncer no pâncreas.

Ao longo de sua carreira política, ele chefiou quatro pastas do governo federal. Na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jungmann foi inicialmente ministro extraordinário de Política Fundiária, de 1996 a 1999.
O cargo foi extinto e Jungmann assumiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, no qual permaneceu até 2002.
Em 2016, no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), foi nomeado para comandar o Ministério da Defesa. Em 2018, mudou de cargo: até o final daquele ano, atuou como ministro extraordinário da Segurança Pública.
Ele também foi deputado federal de 2003 a 2011 e de 2015 a 2016; presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 1995 e 1996; e vereador do Recife de 2013 a 2015. Desde 2022, ele ocupava o cargo de diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração.
O pernambucano foi filiado ao MDB e ao PCB, mas passou a maior parte de sua trajetória no PPS (hoje Cidadania), sigla que ajudou a fundar.
Em sua entrevista mais recente à revista eletrônica Consultor Jurídico, em 2022, Jungmann criticou o crescimento das forças de segurança privada no Brasil sem o devido controle: “Isso gera uma perda de controle que contribui para insegurança, venda de armas e outros problemas”.
Repercussão
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, lamentou a morte de Jungmann: “Em momentos decisivos da história, quando a democracia foi colocada à prova, ele atuou com coragem, clareza e senso de responsabilidade pública. Foi uma presença firme na defesa da ordem constitucional, das instituições e do Supremo Tribunal Federal nos períodos mais difíceis. O Brasil perde um homem público que não se escondeu quando a República mais precisou. Meus sentimentos a seus familiares e a sua legião de amigos”.
O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, ressaltou que Jungmann foi “um homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana”. O magistrado destacou a atuação do político durante o governo FHC, quando “integrou um verdadeiro dream team comprometido com a estabilização institucional, as reformas estruturais e a consolidação da ordem constitucional inaugurada em 1988″.
– Sua trajetória confunde-se com a própria história da redemocratização brasileira. Mais do que os cargos que ocupou, permanecem o exemplo e a dignidade com que sempre serviu ao país – salientou Gilmar.