Rio de Janeiro, 26 de Março de 2026

Estudantes relatam agressão da PM em prédio da Educação em SP

Estudantes secundaristas em SP denunciam agressões da PM durante ocupação na Secretaria de Educação, reivindicando melhores condições de ensino e valorização dos professores.

Quinta, 26 de Março de 2026 às 12:30, por: CdB

Jovens tinham o objetivo de conseguir uma reunião com o secretário Renato Feder nesta quinta-feira.

Por Redação, com Brasil de Fato – de São Paulo

Os estudantes secundaristas do estado de São Paulo afirmam que foram agredidos pela Polícia Militar durante uma ocupação na Secretaria de Educação (Seduc), na região central da capital, na quarta-feira.

Estudantes relatam agressão da PM em prédio da Educação em SP | Estudantes secundaristas dentro do prédio da Secretaria de Educação
Estudantes secundaristas dentro do prédio da Secretaria de Educação

Cerca de 20 estudantes ocuparam o prédio no fim da tarde com o objetivo de conseguir uma reunião com o secretário Renato Feder nesta quinta-feira, prazo indicado pelo grupo para encerrar a mobilização. Eles reivindicam melhores condições de ensino e valorização dos professores da rede estadual, especialmente após os desmontes de Feder e Tarcísio de Freitas (Republicanos). No fim da noite, os jovens foram detidos e levados ao 2º Distrito Policial, no bairro do Bom Retiro.

Vídeos divulgados pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) mostram o momento em que policiais utilizam gás de pimenta contra uma estudante e conduzem outro jovem pelo braço. Antes da ação, os estudantes afirmaram que deixariam o prédio e relataram que uma das jovens passava mal após contato com o gás. Em seguida, as imagens registram o som de agentes forçando a entrada e o relato de uma estudante de que a porta foi quebrada. Ao final, é possível ouvir uma voz masculina afirmando “vão sair dois de cada vez” e em seguida “cala a boca”. 

Segundo o advogado Gustavo Petta, que também é vereador em Campinas (SP) pelo PCdoB, “nenhum estudante ficou preso e eles vão agora responder pelos questionamentos que a Polícia Militar fez em relação ao dano material do patrimônio público”. Petta destacou ainda que “o que causou dano foi a invasão” feita pelos policiais.

Ao longo da madrugada, as deputadas estaduais Paula Nunes (Psol) e Professora Bebel (PT) e o artista e ativista Lucas Penteado acompanharam a ocupação do lado de fora da Seduc, ao lado de outros estudantes e apoiadores.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou, em nota, que a “Polícia Militar foi acionada, na noite de quarta-feira, para atender a uma ocorrência de invasão a um prédio público, na Praça da República, região central da capital”.

“No local, foi constatado que cerca de 21 pessoas, entre adultos e menores de idade, haviam entrado na sede da Seduc para realizar uma manifestação. Houve tentativas de negociação para a desocupação do prédio, sem sucesso. Na madrugada desta quinta, os policiais militares realizaram a retirada dos manifestantes. Eles foram conduzidos ao 2º Distrito Policial, onde foram ouvidos e liberados. Ninguém ficou ferido. A perícia foi acionada, e o caso, registrado como dano”, disse a pasta em nota.

O Brasil de Fato também pediu um posicionamento para a Seduc. Assim que houver um retorno, o espaço será atualizado. 

Reivindicações

– Não aceitaremos a precarização das nossas escolas, o enfraquecimento da organização estudantil, nem a retirada de direitos historicamente conquistados – afirma Julia Sacramento Monteiro, presidenta da Upes. A mobilização também foi organizada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).

“Reafirmamos que a educação pública não pode ser tratada como gasto a ser reduzido, mas como investimento estratégico, direito social fundamental e instrumento indispensável para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e soberana”, consta na carta de reivindicações dos estudantes.

O documento aponta como uma das principais demandas o fim de restrições ao funcionamento dos grêmios. Os estudantes cobram o respeito à Lei nº 7.398/1985 e denunciam impedimentos para reuniões e atividades dentro das unidades. “Os estudantes exigem a autonomia das entidades estudantis e o fim de obstáculos impostos pelas direções escolares.”

Outro ponto é a oposição à PEC 09/2023, que reduz o percentual mínimo de investimento em educação no estado. Segundo os estudantes, a medida pode ampliar problemas já presentes nas escolas. “Essa redução agrava a precarização, resultando em falta de merenda, salas superlotadas, falta de professores e problemas graves de infraestrutura.”

A carta também cobra reformas nas unidades da rede estadual. Os estudantes pedem um plano para garantir condições de funcionamento. Entre os problemas citados estão falta de ventilação, banheiros sem condições de uso, ausência de acessibilidade e abandono de espaços como laboratórios e bibliotecas.

O movimento também critica o avanço do modelo cívico-militar nas escolas. “A militarização substitui o diálogo pedagógico pela autoridade coercitiva, criminaliza a juventude e ignora os problemas reais da educação.” Os estudantes defendem a revogação desse modelo.

No documento, o conjunto das reivindicações é apresentado como parte da defesa de uma educação pública “gratuita, democrática, inclusiva e socialmente referenciada”, com garantia de estrutura nas escolas e respeito aos estudantes.

Além da ocupação de quarta-feira, os estudantes programaram outras manifestações para a manhã desta quinta, tanto na capital quanto em Ribeirão Preto, no interior do Estado.

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